Lançamento do livro "Brizola por ele mesmo", com depoimento inédito do grande líder político

Evento será realizado no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (08), na Livraria Travessa do Leblon, a partir das 19h

Publicado em 07/04/2026
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Jornalista Rejane Guerra, ex-governador Leonel Brizola e a neta Juliana Brizola Acervo pessoal

Trinta anos após o governador Leonel de Moura Brizola (1922-2004) dar um depoimento para historiadores e velhos amigos, em sua cidade natal, Carazinho, em abril de 1996, sua neta Juliana Brizola lançará o livro "Brizola por ele mesmo. Documento inédito " (Editora Insular), junto com a jornalista e pesquisadora Rejane Guerra. Prefácio do jornalista Roberto D’Avila.

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O material originalmente foi gravado em fitas rolo e cassete e fez parte de um projeto de História Oral de 1996, da Fundação Desportiva de Carazinho (Fundescar), e da Câmara Municipal de Carazinho (RS) mas, por razões desconhecidas, não estavam nos acervos dessas instituições e não se sabia onde estavam. Agora recém recuperadas pela Editora Insular, cujo áudio compõe esta obra e pode ser acessado (QR Code).

Tudo começou quando a ex-deputada Juliana Brizola, graduada em Direito e Mestre em Ciências Criminais, recebeu das mãos de Romeu Barleze (ex-deputado pelo antigo PTB, um caderno amarelado pelo tempo, com a transcrição dessa entrevista feita em uma máquina de escrever. Barleze, conterrâneo e amigo de vida toda de Brizola, entregou esta relíquia para Juliana, que subsequentemente o entregou à jornalista Rejane Guerra, no Rio de Janeiro. As duas que já publicaram o livro "Meu Avô Leonel -Frases de Brizola" (Letra Capital Editora) concluíram que o documento histórico deveria ser registrado, o que só foi possível agora com o convite do editor Nelson Rolim, da Editora Insular. Porém, a transcrição publicada nesse livro não é a original, pois foram retiradas as repetições naturais existentes na linguagem oral visando facilitar a leitura. Mas preservando ao máximo a fala original e carismática de Brizola como se fosse uma conversa.

No depoimento Brizola conta sobre a sua infância tão pobre - que até os 6 anos nunca tinha calçado sapatos e só foi apresentado à uma escova de dente aos 9 anos. Este livro vai além da história pessoal de Leonel Brizola, pois engloba fatos da vida social e política do RS e do Brasil. Por exemplo, quando ele conta um episódio marcante em sua vida, que foi o assassinato do pai - um camponês maragato, na Revolução de 1923, em um embate entre chimangos - observa-se o cenário da época. Ele também relata as imensas dificuldades enfrentadas pela sua mãe viúva que alfabetizou os filhos. Brizola trabalhou desde criança em um açougue, era muito estudioso e ganhava boas notas. Isso talvez explique o porquê foi o político brasileiro que fez da educação política de Estado.

Os obstáculos enfrentados por Brizola continuaram quando se mudou para Porto Alegre para continuar os estudo. Pelo seu depoimento, ele morou um anos nas ruas da capital gaúcha, foi engraxate, onde foi carregador de malas, ascensorista, jardineiro. Ele não conseguiu se matricular na adolescência por não ter certidão de nascimento, e como lutou por toda sua vida escolar até se formar em engenharia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Além do depoimento inédito de Brizola também será lançado neste livro fotos e documentos pertencentes ao acervo que Juliana guarda desde a sua adolescência: são carteiras profissionais de Brizola piloto, parlamentar, jornalista, cartas, bilhetes, documentos, fotos, "santinhos de suas primeiras campanhas". E fotos inéditas cedidas pelo museu Olívio Otto, que foram encontradas pelas organizadoras do livro em minuciosa pesquisa em Carazinho

Aspas de Brizola, contando como secretário de Obras do Estado do RS, desenhou a Estrada da Produção:

“Planejei assim a ideia da Estrada da Produção, desenhei na prancheta a diretriz da Estrada da Produção. Eu era Secretário de Obras Pública. Então eu disse: Olha, eu já ando meio brigado com esse DAER (Departamento Autônomo de Estradas e Rodagens), estou achando muito burocrático, e eu não vou levar essa discussão. Eu quero resolver esse assunto e lançar o problema para ter o apoio do pessoal da Região Serrana. Eu próprio tracei, eu tinha uma pena de bico de pato que passei para o papel. Fiz o esquema sobre as barcaças; o Porto Mariante, tracei aquela parte que eles fizeram depois lá. Como é, ali, saindo de Porto Alegre para pegar a Produção.

Eu imaginava assim: essa solução é a mais indicada porque vai cortar as estradas federais de forma transversal. Porque tudo aqui ia para São Paulo. Todas as estradas Federais, “venha a nós o vosso reino”. Digo [pensei]: Sou farroupilha, vou cortar essas estradas Federais transversalmente assim, zup [emite som], para o porto de Rio Grande, para nos darmos o nosso direito de exportarmos diretamente, se não vamos ficar sempre aí mandando porco para SP, mandando coisas, e eles explorando um transporte vil. Porque cada dez caminhões que nós mandamos cheios de produtos agrícolas para lá, eles mandavam o equivalente a dois.

Depois fui prefeito e vim a ser governador. Quando assumi o governo, digo, é agora. Não tinha dinheiro, mas, pensei, eu vou começando. Mandei o DAER fazer o Projeto. Desapropriamos uma faixa daqui a Porto Alegre para duas vias. É só aparecer aqui um governador de peito, faz a segunda via, que é uma necessidade urgente.. A Estrada da Produção nasceu aqui, oh, nessa cuca aqui [gestos], não foi nos escritórios Olha, eu voei de aviãozinho para Carazinho, para essa região aqui, a Porto Alegre, fiz umas oitenta vezes, até mais. Até com mal tempo eu descia. E depois consegui uns cobres com o governo JK".

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