Brasil alcança maior índice de desenvolvimento humano da história, diz ONU

Políticas públicas como o SUS e o Bolsa Família impulsionaram resultado

Publicado em 26/05/2026
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Coordenadora do PNUD, Betina Barbosa explica os dados referentes a 2012-2024 - Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O Brasil atingiu o maior patamar de IDHM de sua história, ingressando pela primeira vez na categoria de "desenvolvimento humano muito alto" (acima de 0,800), na análise dos dados do Radar IDHM, divulgados pelo PNUD Brasil neste 26 de maio e traz uma perspectiva histórica importante sobre o desenvolvimento do país entre 2012 e 2024.

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1. Evolução do IDHM (2012–2024)

O país apresentou um crescimento consistente ao longo desses 13 anos:

IDHM 2012: 0,744 (Alto Desenvolvimento)

IDHM 2024: 0,805 (Muito Alto Desenvolvimento)

Este salto reflete um esforço acumulado em diversas áreas, embora o PNUD ressalte que o caminho não foi linear, tendo sofrido impactos significativos devido a crises sistêmicas, como a pandemia de COVID-19.

O marcador avalia os parâmetros de saúde e longevidade, educação e geração de renda, de acordo com a cor (negro e branco) e o sexo (mulher e homem). A publicação considera os últimos 13 anos – de 2012 a 2024.

Quando o programa das Nações Unidas começou a calcular esse índice, há 30 anos, o Brasil era um país de IDHM baixo, ou seja, menor que 0,555.

O parâmetro que mais impulsionou o IDHM neste período foi a educação, ao passar de 0,679 em 2012 para 0,798 em 2024.

A coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Pnud Brasil, Betina Barbosa, destacou, nesse contexto, a concessão do Bolsa Família.

“É o programa Bolsa Família que retira quantidade enorme de crianças do trabalho e dá a elas a condição da escola e a obrigatoriedade, também, de estar na escola. Então, aqui vejo diretamente o efeito de uma política pública brasileira.”

Betina Barbosa lembrou que o programa, criado em 2003, começa a produzir efeitos cerca de dez anos depois, justamente quando o primeiro grupo de beneficiários completa um período satisfatório de ensino, do fundamental e médio.

Segundo ela, a melhoria dos indicadores de educação nesse período é mais significativa entre famílias de renda mais baixa, em especial, as negras.

“É aqui que a população negra começa a apresentar melhores indicadores, melhor performance em educação. Então, a política pega um grupo que estava excluído e bota esse grupo para dentro do diálogo do desenvolvimento humano. Isso acontece a partir de 2016 de forma ascendente.”

A especialista ressalta que não existe alternativa para a melhoria do desenvolvimento brasileiro sem incluir a população negra na agenda de políticas públicas. O mesmo vale para as mulheres. O recorde de IDHM não apaga a desigualdade. O índice é uma média e pode mascarar discrepâncias profundas entre raças, gêneros e regiões. O PNUD enfatiza que a desigualdade de raça e de gênero continua sendo um entrave central para o pleno desenvolvimento brasileiro.

A coordenadora explicou que, dos subíndices, a política pública de saúde é a que mais produz resultados positivos para o país, com performance de “muito alto desenvolvimento” já em 2012 (0,829), em razão da consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) a partir da Constituição de 1988. Mesmo assim, é o que apresenta crescimento mais lento, chegando a 0,860 em 2024.

Já o parâmetro da renda cresce em baixa velocidade, de 0,732 em 2012, para 0,760 em 2024, no patamar de alto desenvolvimento.

Para o Pnud, nos anos de 2020 a 2022, o país enfrentou uma crise sistêmica devido à pandemia de covid-19. Em 2021, o IDHM do país chegou a 0,757. Betina Barbosa pondera que o mais preocupante para o Brasil foi a negativa de que esse colapso iria produzir efeitos negativos sobre o desenvolvimento país ainda não recuperou totalmente os índices de expectativa de vida anteriores à crise sanitária de 2020-2022. O programa aponta que a falta de uma resposta rápida e coordenada à crise amplificou os efeitos negativos.

Os resultados do Radar IDHM foram calculados com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com a equipe técnica e pesquisadores da Fundação João Pinheiro.

Com informações do PNUD e Agência Brasil

Alex Prado
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