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Maria Lucia Fattorelli

Grande imprensa se equivoca em culpar gastos sociais pelo crescimento da Dívida Pública, que explode devido aos juros

No primeiro semestre Dívida Pública Federal cresceu R$ 633 bilhões, dos quais mais de 80% (R$ 521 bilhões) se deveram aos juros

Publicado em 07/08/2026
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No dia 30 de julho, grandes meios de imprensa repercutiram a divulgação pelo Tesouro Nacional do “Relatório Mensal da Dívida”, alegando que a dívida cresceu em junho, principalmente devido à emissão de títulos da dívida para cobrir o déficit orçamentário.

Tal informação dá a entender que a dívida pública brasileira estaria servindo para financiar os gastos sociais (saúde, educação, servidores públicos, previdência, dentre outras áreas sociais), o que até seria positivo, se não fosse mentira.

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Analisando-se as tabelas da publicação (disponíveis em  https://thot-arquivos.tesouro.gov.br/publicacao-anexo/28769), na Planilha 2.9, vemos que na primeira metade do ano de 2026 a “Dívida Pública Federal” cresceu R$ 633 bilhões, dos quais mais de 80% (R$ 521 bilhões) se deveram aos juros nominais apropriados.

O restante do crescimento se deveu à emissão de títulos da dívida no montante de R$ 112 bilhões acima dos resgates.

E para que serviram estes R$ 112 bilhões? Para investimentos sociais? NÃO.

Analisando-se os dados do Orçamento Federal, (https://www1.siop.planejamento.gov.br/painelorcamento), verifica-se que, em 2026 (até o dia 29/7), a dívida pública não tem financiado, mas sim, SUGADO recursos das áreas sociais, tendo se apropriado de R$ 273 bilhões – de fontes de recursos que nada têm a ver com a emissão de títulos da dívida – para pagar juros e amortizações, enquanto o caminho contrário (gastos sociais financiados por emissão de títulos da dívida) representou somente R$ 26 bilhões. Portanto, a chamada “dívida pública” RETIROU, em termos líquidos, R$ 247 bilhões das áreas sociais.

Então por que o governo emitiu R$ 112 bilhões de títulos a mais do que resgatou no primeiro semestre?

Para manter uma montanha de dinheiro parado na chamada “Conta Única do Tesouro”, reservada para o pagamento dessa chamada “dívida pública”.

Nada a ver com um suposto excesso de investimentos sociais.

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