Petrobrás e Pemex apostam alto em perfuração de alto risco e alto retorno na costa do México

As duas estatais estão unindo forças para explorar formações jurássicas ultraprofundas sob a Baía de Campeche, no México, visando uma nova e potencialmente importante província petrolífera

Publicado em 24/08/2026
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A presidente da Petrobrás, Magda Chambriard, e o diretor geral da Pemex, Juan Carlos Carpio Fragoso, na cerimônia de assinatura. Foto: Divulgação Petrobrás

A Petrobrás e Petróleos Mexicanos (PEMEX) assinaram nesse domingo (23/6), um Memorando de Entendimento (MoU) com o objetivo de estabelecer uma cooperação estratégica e técnica para avaliação, desenvolvimento e execução conjunta de projetos na indústria de hidrocarbonetos. A parceria inclui o desenvolvimento de oportunidades nas áreas de Exploração e Produção (E&P) e de processos industriais, bem como o intercâmbio de experiências sobre aspectos regulatórios e institucionais do setor.

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“Este é um instrumento de cooperação estratégica com potencial relevante para a Petrobrás, que pode posicionar a companhia como parceira da Pemex em um cenário de fortalecimento da exploração e produção de petróleo no México. Temos interesse na exploração no Golfo do México mexicano, no incremento da produção de campos maduros e em processos industriais de refino, petroquímica e fertilizantes. Certamente a parceria entre as duas estatais será proveitosa para ambos os países”, avaliou Magda Chambriard.

O diretor geral da Pemex, Juan Carlos Carpio Fragoso, afirmou que “a assinatura deste Memorando de Entendimento abre oportunidades de cooperação em benefício das empresas, dos países e de seus povos; estabelece uma estrutura de colaboração estratégica e técnica para avaliar, desenvolver e executar conjuntamente projetos abrangentes e potenciais que envolvam atividades de exploração e extração de hidrocarbonetos — visando a novas descobertas e oportunidades para otimizar e aumentar a produção em águas profundas, áreas de óleo pesado e extrapesado, campos maduros e potencial pré-sal no Golfo do México —, bem como atividades relacionadas a processos industriais, como refino e petroquímica”.

No segmento de E&P, as companhias avaliarão iniciativas voltadas à revitalização de campos maduros, reprocessamento sísmico e oportunidades exploratórias e de desenvolvimento em áreas de águas profundas e ultra profundas, incluindo ativos localizados no Golfo do México. A parceria também contempla a troca de conhecimentos técnicos, tecnologias e melhores práticas, aproveitando a reconhecida experiência da Petrobras em operações offshore de alta complexidade.

Na área industrial, o MoU abrange oportunidades de cooperação em refino, petroquímica, fertilizantes, processamento de gás e recuperação de líquidos, eficiência energética, redução de emissões, captura de carbono e produção de combustíveis de menor intensidade de carbono, além do compartilhamento de melhores práticas relacionadas à segurança, confiabilidade operacional e proteção ambiental.

O MoU é válido por dois anos, podendo ser renovado. O acordo não constitui compromisso vinculante de investimento nem cria sociedade, consórcio ou joint venture entre as partes. Eventuais oportunidades identificadas poderão ser objeto de negociações futuras e dependerão da celebração de instrumentos específicos, observadas as análises de viabilidade, as aprovações pelas instâncias competentes e as normas de governança aplicáveis a cada parte.

Os riscos em águas mexicanas são maiores, mas as recompensas potenciais também. Se a parceria Pemex-Petrobrás perfurar e comprovar com sucesso a existência de recursos de hidrocarbonetos sob a camada de sal, poderá abrir uma nova e importante província de petróleo e/ou gás que poderia mudar a sorte da Pemex.

A empresa petrolífera estatal mexicana tem visto sua produção diminuir nos últimos anos e tem dependido do apoio financeiro do governo para refinanciar suas enormes dívidas.

Em julho, a Pemex também reportou um lucro líquido no segundo trimestre 70% menor do que no mesmo período do ano anterior, apesar da alta do preço do petróleo entre abril e junho devido à crise no Oriente Médio. A empresa continuou a ter dificuldades para aumentar a produção e bombeou, em conjunto com parceiros, uma média de 1,66 milhão de barris por dia (bpd) de petróleo bruto e condensado no segundo trimestre. Esse volume ficou abaixo da meta do governo mexicano de 1,8 milhão de bpd de produção de petróleo.

Uma campanha potencialmente bem-sucedida, de alto risco, mas com grande potencial de recompensa, na costa de Campeche, poderia contribuir significativamente para mudar a sorte da gigante petrolífera mexicana.

Com informações da Petrobrás, Oilprice.com e Bloomberg

Jornalismo AEPET
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