Brasil na retaguarda em explorar novas fronteiras petrolíferas
País praticamente não avançou na última década e demorou 12 anos para autorizar pesquisa na Margem Equatorial; Guiana, Suriname, África e Noruega furaram 122 poços em áreas fronteiriças entre 2018 e 2024
Mesmo com recordes recentes na produção de petróleo e gás, o Brasil ficou estagnado na exploração de novas fronteiras entre 2018 e 2024, aumentando os riscos de um declínio acentuado no volume de barris extraídos ao longo da próxima década.
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Nesse período, as petroleiras no Brasil perfuraram um total de 37 poços em busca de novos reservatórios de hidrocarbonetos. Nenhum deles, entretanto, ocorreu em áreas de fronteira. A maioria se concentrou em bacias conhecidas, como Santos e Campos.
Enquanto isso, vizinhos sul-americanos como Guiana e Suriname abriram 75 novos poços de 2018 a 2024, sendo 62 em fronteiras exploratórias.
No caso do sul e do oeste do continente africano, que engloba países como Angola e Namíbia, foram 72 perfurações no total e 28 em áreas de fronteira.
A Noruega, normalmente associada a campos maduros, teve 143 novos poços durante esse período, dos quais 32 em fronteiras exploratórias.
Os dados foram levantados pela Abespetro (Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo) e pela consultoria norueguesa Rystad Energy.
Novas fronteiras exploratórias são bacias com alto potencial para descobertas de petróleo e gás, mas sem declaração de comercialidade de suas áreas -- ou seja, a existência de um comunicado oficial de que as reservas encontradas são economicamente viáveis para produção regular.
O Brasil tem hoje duas grandes fronteiras: a Margem Equatorial (composta pelas bacias sedimentares da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar) e a Bacia de Pelotas (no sul do país).
Hoje o país produz cerca de 4,3 milhões de barris de petróleo por dia. O PDE (Plano Decenal de Energia) prevê que a produção deve crescer até um pico de 5,1 milhões de barris diários entre 2032 e 2033, mas começaria a cair logo em seguida, caso não haja a entrada de novas frentes, como a Margem Equatorial.
No fim do ano passado, a Petrobrás finalmente começou a perfurar no bloco FZA-M-59, nas águas territoriais do Amapá.
Em entrevista no mês passado à revista Brasil Energia, o diretor da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) apontou a necessidade de maior oferta em áreas de fronteira e disse que há cerca de 1,4 mil blocos represados para licitação.
"A gente tem 1,4 mil blocos represados, aguardando parecer ambiental e manifestação conjunta. São mais 1,4 mil blocos que poderiam estar sendo oferecidos [nos leilões]", afirmou Pietro Mendes.
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