Guerra com o Irã desvia cargas de GNL e reacende risco de nova crise energética na Europa

Guerra com o Irã disparou nova corrida global por gás, elevando em mais de 50% os preços na Europa, desviando cargas de GNL para a Ásia.

Publicado em 06/03/2026
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A guerra com o Irã desencadeou uma nova crise energética na Europa, elevando os preços do gás ao nível mais alto desde 2023 e reacendendo temores de escassez. De acordo com o Financial Times, o bloqueio ao estreito de Ormuz e a interrupção da produção de GNL no Catar provocaram uma disparada de 53% nos preços desde sexta‑feira (27), atingindo um continente que ainda se recupera do choque energético iniciado em 2022.
O impacto já se reflete na logística global: um navio-tanque de GNL que seguiria para a França tornou-se a primeira carga no Atlântico a ser redirecionada para a Ásia, evidenciando a crescente competição entre economias asiáticas e europeias por suprimentos. Para além disso, a mídia destaca ainda que o BW Brussels, carregado com gás da Nigéria, mudou de rota em direção ao Cabo da Boa Esperança.
A pressão ocorre em um momento crítico, após um inverno rigoroso (Hemisfério Norte) que reduziu drasticamente as reservas europeias. Os estoques estão abaixo de 30% da capacidade, muito aquém da média histórica de 45% para esta época do ano, com países como Países Baixos, Suécia, Croácia e Letônia em situação especialmente delicada.
Apesar disso, autoridades da União Europeia (UE) afirmam ser possível reabastecer os estoques para 90% antes do próximo inverno, embora reconheçam que os preços elevados podem impor um fardo pesado às economias mais dependentes de GNL, como Itália e Alemanha.
Ainda segundo a apuração, a inflação já vinha subindo antes da crise, e o Banco Central Europeu (BCE) alerta para riscos de alta prolongada nos preços da energia.

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A possibilidade de recorrer novamente ao gás russo foi levantada por analistas, mas considerada politicamente explosiva e improvável, especialmente após o aumento das exportações norte-americanas para a Europa. Mesmo assim, o presidente russo Vladimir Putin já sinalizou que poderia cortar fornecimentos antes da proibição europeia entrar em vigor — uma vez que a UE permanece refratária a contribuir para um fim diplomático para o conflito ucraniano.
Com o agravamento da crise, governos nacionais podem recorrer a medidas emergenciais, como a reativação temporária de usinas a carvão, repetindo estratégias adotadas em 2022. Outra alternativa seria reforçar a dependência do parque nuclear francês, cuja produção caiu drasticamente em 2022 devido a problemas técnicos.
A pressão também reacende debates sobre o sistema europeu de comércio de emissões. Indústrias intensivas em energia pedem alívio regulatório, incluindo isenções para a produção de amônia e o adiamento da eliminação de licenças gratuitas de carbono. Parlamentares defendem uma abordagem mais moderada diante da volatilidade atual.
A Comissão Europeia discute o tema nas próximas reuniões, incluindo um encontro com o diretor da Agência Internacional de Energia (AIE). A alta recente reforça a necessidade de acelerar a eletrificação, expandir redes elétricas e reduzir a influência do gás na formação dos preços.
Para especialistas consultados pela mídia britânica, a crise evidencia novamente a vulnerabilidade europeia diante de choques externos e a urgência de fortalecer a autossuficiência energética. A dependência de combustíveis fósseis, afirmam, continuará a expor o continente a riscos de preço e segurança sempre que houver instabilidade geopolítica.

Fonte(s) / Referência(s):

Jornalismo AEPET
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