O papel da Petrobrás como instrumento de política macroeconômica

As refinarias privatizadas aumentaram os preços do diesel em 85,6% na Acelen e 74,9% na Ream

Publicado em 28/04/2026
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As queixas recentes feitas pela Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) de que a Petrobras pratica preços artificialmente mais baixos para a gasolina e o diesel foram rebatidas pelos sindicatos dos petroleiros, federação e institutos.

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Para o diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), Mahatma Ramos, a Petrobras tem sido um importante instrumento de política macroeconômica e mitigação dos impactos de aumento de preços decorrentes da guerra. “O reajuste aplicado pelas refinarias privadas é muito superior aos da Petrobras e as distribuidoras continuam com comportamento padrão oportunista, praticando preços na bomba abusivos, muito acima das taxas impostas pela guerra”, diz ele.

Ramos lembra que, mesmo com a brusca elevação de 44,4% do preço do brent em reais, no mês passado, a Petrobras realizou apenas um reajuste de 11,5% no preço do diesel em suas refinarias, enquanto a gasolina e o GLP mantiveram-se estáveis. Já as refinarias antes pertencentes à Petrobras, e privatizadas durante o governo Bolsonaro, acompanharam de perto as variações no Preço de Paridade de Importação (PPI), registrando reajustes consideráveis: no caso da gasolina, os aumentos chegaram a 60,9% na Refinaria de Mataripe (Acelen), 48,9% na Refinaria Clara Camarão (Brava) e 44% na Refinaria de Manaus (Ream). Para o diesel, as elevações foram de 85,6% na Acelen e 74,9% na Ream..

Segundo o diretor do Ineep, esse contexto também evidencia os efeitos da desverticalização da Petrobras, particularmente após a privatização da BR Distribuidora: “A saída da estatal do segmento de distribuição e revenda reduziu sua capacidade de coordenação ao longo da cadeia, limitando instrumentos de moderação de preços ao consumidor final”.

O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-subseção FUP), Cloviomar Cararine, também destaca que os preços nas refinarias da Petrobrás estão abaixo do PPI divulgado pela ANP, em todos os combustíveis. Na semana de 05 a 11 de abril de 2026, última divulgação da ANP no Relatório “Síntese Semanal de Preços dos Combustíveis”, a gasolina na refinaria da Petrobrás estava 22% abaixo do PPI, o diesel em 14% e GLP em 6%.

“Estamos tratando de um setor estratégico, fundamental para a economia e para a população brasileira. A guerra tem mostrado que todos os países do mundo estão adotando estratégias para preservar a sociedade e não deixar o preço ‘livre’ do mercado influenciar e retirar acesso da população a esse bem estratégico”, ressalta Cararine.

O pesquisador do Dieese considera acertado o governo criar estratégias para proteger os preços internamente, como a proposta de usar receitas extras com petróleo (royalties e venda de óleo do pré-sal) para baixar preços dos combustíveis. “Isso tem acontecido em vários países. No nosso caso, como grande produtor de petróleo, temos mais opções de ação, além de ser um setor muito rentável. O custo de extração no Brasil é baixo, o preço do brent está subindo e a receita está aumentando muito”, diz ele.

Com informações da Agência Brasil e Monitor Mercantil

Jornalismo AEPET
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