Khamenei: ‘Futuro do Golfo Pérsico será sem EUA, a menos que seja no fundo do mar’

Ele ressalta que 'nova gestão do Estreito de Ormuz trará tranquilidade'

Publicado em 30/04/2026
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O líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, defendeu nesta quinta-feira o programa nuclear e balístico de Teerã e garantiu que o futuro do Golfo Pérsico será um futuro “sem a presença dos EUA”, uma vez que Washington “não tem lugar na região, a não ser no fundo do mar”.

“Com a ajuda de Deus, o futuro brilhante da região do Golfo Pérsico será um futuro sem a presença dos EUA e a serviço do progresso, do bem-estar e da prosperidade de seus povos”, afirmou ele em uma mensagem publicada em sua conta nas redes sociais por ocasião do Dia Nacional do Golfo Pérsico.

Assim, ele afirmou que “os estrangeiros que cometem atos malignos a milhares de quilômetros de distância não têm lugar nesta região, a não ser no fundo do mar”, ao mesmo tempo em que insistiu que, uma vez concluído o conflito no Oriente Médio, “iniciará-se uma nova ordem para a região e para o mundo”.

Nessa linha, ele enfatizou que a população iraniana “considera todas as capacidades do Irã, baseadas na identidade, na espiritualidade, no bem-estar humano, na ciência, na indústria e na tecnologia – desde a nanotecnologia e a biotecnologia até as capacidades nucleares e de mísseis – como ativos nacionais, e as protegerá da mesma forma que protege as águas, a terra e o espaço aéreo do país”.

Khamenei, que não apareceu em público após ter sido ferido na primeira onda da ofensiva lançada em 28 de fevereiro pelos EUA e Israel – na qual morreu seu pai e até então líder do país, o aiatolá Ali Khamenei -, afirmou que o Golfo Pérsico “moldou parte da identidade e da civilização” do Irã.

“A passagem entre o Estreito de Ormuz e o Golfo de Omã é vital e única para a economia global. Este capital estratégico gerou a ganância de muitos males nos últimos séculos”, lamentou, antes de afirmar que “dois meses após a maior campanha militar e agressão dos agressores na região e a vergonhosa derrota dos EUA e de seu plano, surge um novo capítulo para o Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz”.

Nesse sentido, ele ressaltou que o conflito demonstrou que “a presença dos americanos e seu entrincheiramento em terras do Golfo Pérsico é o principal fator de insegurança na região” e que “as bases fantoche dos EUA na região não têm força nem capacidade para garantir sua própria segurança, muito menos a de seus lacaios e daqueles que amam os EUA na região”.

“As normas legais e a aplicação da nova gestão do Estreito de Ormuz trarão tranquilidade e progresso em benefício de todas as nações da região”, disse Khamenei, que argumentou que “seus benefícios econômicos alegrarão os corações da nação, se Deus quiser, mesmo que isso incomode os infiéis”, em referência aos EUA e a Israel.

Marinha iraniana critica bloqueio – Por outro lado, o comandante da Marinha do Irã, Shahram Irani, criticou o bloqueio imposto pelos EUA no Estreito de Ormuz e ressaltou que “os americanos são ainda piores do que os piratas somalis, já que estes agem por causa de sua pobreza”, segundo informou a emissora de televisão pública iraniana, Irib.

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“Os americanos passaram da pirataria para a tomada de reféns e chegaram até a sequestrar seus funcionários e familiares nos navios”, disse ele, antes de alertar que, caso os navios americanos que aplicam o bloqueio se aproximem da costa iraniana, “serão tomadas medidas rápidas e decisivas”.

“Em breve verão uma arma que temem muito. Espero que não tenham um infarto”, assinalou, ao mesmo tempo em que elogiou a resposta de Teerã à ofensiva dos EUA e de Israel. “O inimigo pensou que poderia obter resultados no menor tempo possível, três dias ou uma semana, algo que já se tornou uma piada nas academias militares”, concluiu.

Autoridades iranianas anunciaram em 17 de abril que estavam encerrando suas restrições ao tráfego na zona, após a confirmação, no dia anterior, de um cessar-fogo temporário no Líbano, embora tenham garantido que as reimporiam depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou, em resposta – após aplaudir a decisão de Teerã – que as forças americanas manteriam o bloqueio da rota.

O próprio Trump anunciou posteriormente a extensão do cessar-fogo temporário alcançado em 8 de abril após um pedido do Paquistão, que está mediando o processo diplomático, embora tenha insistido que o bloqueio continuará em vigor.

O bloqueio e a recente abordagem e apreensão de navios iranianos na zona têm sido um dos motivos invocados por Teerã para não comparecer a Islamabad, uma vez que considera que essas ações constituem uma violação do cessar-fogo que impede o processo de diálogo.

 

Fonte(s) / Referência(s):

Jornalismo AEPET
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