Analisar o fenômeno da “dominância da política monetária” e o regime de metas de inflação sob a ótica da economia política é essencial para o entendimento da alternativa a ser construída para superar a convenção de política econômica dominante desde os anos 90 no Brasil. As falhas históricas e teóricas do dogma monetarista e da regra do juro neutro vão ser criticadas para que fique clara a centralidade conferida às taxas de juros de curto prazo pelos Bancos Centrais na função predominantemente ideológica e política: isolar as decisões econômicas da luta política, salvaguardar a autonomia do capital privado e reestruturar balanços, ativos e passivos,  do capitalismo oligopolista e financeirizado, em detrimento do uso de instrumentos fiscais e distributivos diretos.