Massa: "Brasil precisa resgatar a Petrobrás"
Primeiro dirigente da BR Distribuidora defende retomada do controle estatal sobre o mercado de combustíveis
Idealizada por um grupo de pensadores nacionalistas, a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobrás, foi criada na década de 1970 pelo então presidente Ernesto Geisel no auge da crise do petróleo para garantir abastecimento e previsibilidade dos preços dos combustíveis no Brasil, tendo o economista Sylvio Massa como seu primeiro diretor presidente.
Lucrativa, geradora de caixa e, portanto, estratégica também para a Companhia, a subsidiária foi vendida no governo de Jair Bolsonaro por valor abaixo do mercado. Os compradores obtiveram também o direito de usar a respeitada marca em seus pontos de revenda, mesmo sendo esta marca confundida com a da própria Petrobrás.

Neste momento, em que o mundo presencia agressões imperialistas contra países produtores de petróleo, Massa concedeu entrevista ao jornalista Beto Almeida, no programa Latitud Brasil, na qual destaca a importância da recuperação da antiga subsidiária para a soberania energética do país.
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"Na época da criação da BR, o mercado de combustíveis era dominado por sete multinacionais. A Petrobrás já fazia distribuição e eu era superintendente. Nada impede que a empresa volte a fazê-lo", afirmou Massa, indignado com a venda da BR Distribuidora a quatro grupos financeiros interessados apenas na geração de dividendos, maior parte para acionistas estrangeiros, deixando o consumidor brasileiro órfão também do papel regulador e fiscalizador da BR.
"A BR era parâmetro para os custos e a distribuição em todo território nacional. Cobrava preço honesto, ao ponto de eliminar Esso, Texaco e Atlantic, que não mais conseguiam manipular os preços", pondera o fundador da subsidiária.
PPI
Massa relembra que, em 2016, na gestão de Pedro Parente na Petrobrás, foi desmantelado o sistema de gestão dos preços vitorioso, substituído pelo chamado PPI - preço de paridade de importação - que chegou a tornar mais baixos os preços internacionais, estimulando a importação de combustíveis ao ponto de manter as refinarias da Petrobrás operando abaixo da capacidade, desvalorizando-as para a privatização.
"Com o PPI, um operário brasileiro, mesmo ganhando 14 vezes menos, paga o mesmo preço que um norte-americano pelo combustível. É um absurdo", define. "Ou o Brasil retoma o controle desse mercado, ou estaremos sem saída."
"É preciso resgatar a Petrobrás e seu Conselho de Administração para os brasileiros, pois hoje a empresa está nas mãos de acionistas minoritários, que olham apenas para os dividendos, sendo que a maioria se encontra na bolsa de Nova Iorque".
Massa destacou que hoje "o imperialismo não faz mais cerimônias e não se importa que o país seja destruído". Ele defende que o Brasil siga outros exemplos de países soberanos, mobilizando a juventude e utilizando-se dos meios de comunicação em busca do resgate da brasilidade.
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