Siga a AEPET
logotipo_aepet
marcos_de_oliveira
Marcos de Oliveira

Light: história se repete. Tragédia?

Estatizada em 1979, privatizada em 1996, companhia está em nova crise

Publicado em 24/02/2023
Compartilhe:

Faltando poucos anos para terminar a concessão, com sérios problemas na distribuição de energia, a Light avisa ao governo que não tem caixa suficiente para manter o fornecimento no Rio de Janeiro.

O ano poderia ser 2023 – a concessão vence daqui a 3 anos, e a empresa tem endividamento líquido de R$ 8,7 bilhões e dívida bruta de R$ 12,8 bilhões. Mas também serve para janeiro de 1979, quando as ações da Light de propriedade da canadense Brascan foram compradas pela ditadura, pelo valor de US$ 380 milhões (mais o imposto de US$ 56,4 milhões). O total, atualizado para dólar de hoje, é de aproximadamente US$ 1,8 bilhão; em reais; cerca de R$ 9,3 bilhões.

O negócio foi muito criticado. A alegação de que a concessão estava prestes a vencer era contestada por vagas afirmações de que a empresa pediria indenizações que dificultariam a estatização; analistas do mercado financeiro ouvidos à época pelo Jornal do Brasil se surpreenderam com o valor, muito acima do esperado.

O governo de João Figueiredo alegava que eram necessários investimentos que a companhia não estava em condições de realizar. Desde a década de 1950, os serviços da Light se deterioravam. Fez sucesso a marcha Vagalume, de Vitor Simon e Fernando Martins (1954), que dizia: "Rio de Janeiro / Cidade que nos seduz / De dia falta água / De noite falta luz". Troque-se Rio por São Paulo e perde-se a rima, mas a crise era igual, pelo menos na eletricidade, controlada em áreas paulistas pelo mesmo grupo canadense.

Encerrava-se, assim, a primeira etapa da história privada da empresa, cujas atividades iniciaram-se em 17 de julho de 1899, com a Usina Hidrelétrica Parnaíba, no Rio Tietê, construída entre 1899 e 1901. Capitais canadenses criaram um império na área de eletricidade, gás, transportes. Segundo Duncan McDowall, o grupo Light permaneceu até a década de 1950 como a maior corporação privada da América do Sul; foi também o maior empregador privado do Brasil até a década de 1960.

A venda da Light, em 1979, representou o passo final da saída do grupo canadense da área de infraestrutura no Brasil, iniciada em 1956, com a criação da Brascan. Mas, não, a história não se encerrava aí. Menos de 20 anos, e muitos investimentos depois, em 21 de maio de 1996, a Light foi privatizada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso pelo preço mínimo de R$ 2,2 bilhões (cerca de R$ 11 bilhões, em valores de hoje).

Após passar por muitos controladores e virar uma empresa com ações diluídas no mercado, a Light alega perdas com furtos de energia ("gatos") em locais controlados por tráfico e milícia. Mas não são poucos os que criticam a empresa por não ter um plano para reduzir as perdas e, ao passar os custos para as contas, reduzir ainda mais o número de pagantes.

De privada a estatal a privada novamente, a Light segue um destino de altos e baixos. Agora, chama-se a Viúva para socorrer em um novo momento de baixa.

Marcos de Oliveira - Jornalista, produz a coluna Fatos&Comentários

Fonte: Monitor Mercantil

Receba os destaques do dia por e-mail

Cadastre-se para receber os principais conteúdos publicados pelo Jornalismo da AEPET.

Ao clicar em ”Quero receber” você aceita receber nossos e-mails e concorda com a nossa política de privacidade.
guest
0 Comentários
Feedbacks Inline
Ver todos os comentários

Gostou do conteúdo?

Clique aqui para receber matérias e artigos da AEPET em primeira mão pelo Telegram.

Mais artigos de Marcos de Oliveira

Receba os destaques do dia por e-mail

Cadastre-se para receber os principais conteúdos publicados pelo Jornalismo da AEPET.

Ao clicar em ”Quero receber” você aceita receber nossos e-mails e concorda com a nossa política de privacidade.

0
Gostaríamos de saber a sua opinião... Comente!x