Eugenio Miguel Mancini Scheleder
Eugenio Miguel Mancini Scheleder
Eugenio Miguel Mancini Scheleder é Engenheiro Mecânico e trabalhou na Petrobrás por 52 anos.

Um Futuro Para Não Ser Esquecido

A Petrobrás deve ser preservada e protegida de políticas governamentais destrutivas, como as que foram praticadas nos dois governos anteriores

Publicado em 04/02/2026
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A Petrobrás informou uma adição significativa de reservas de óleo, condensado e gás natural, que resultaram em 12,1 bilhões de barris de óleo equivalente (boe) em 31 de dezembro de 2025. No ano, foi produzido 1 bilhão e incorporado 1,7 bilhão de boe às reservas provadas da Companhia. Vale lembrar que essa elevação se deu mesmo diante de uma produção recorde em 2025. A relação entre reservas provadas e produção atingiu 12,5 anos no final do exercício.

Este resultado decorre da maior alocação de recursos a pesquisa, exploração e desenvolvimento dos ativos de produção de óleo e gás, realizada nos últimos anos, após a desastrosa tentativa de desmantelamento e privatização da Petrobrás promovida pelos governos Temer e Bolsonaro no período de 2016 a 2022. Naquele período, as reservas provadas foram reduzidas ao mínimo de 8,8 bilhões de boe, com graves riscos à segurança energética do País.

Para atingir os 12,1 bilhões de boe em 2025, a Petrobras contou com o excelente desempenho dos ativos já em produção - destaque para os campos de Búzios, Tupi, Itapu e Mero, na Bacia de Santos - com o avanço no desenvolvimento dos campos em águas profundas da Bacia de Sergipe-Alagoas e com os projetos de novos poços nas bacias de Santos e de Campos, principalmente em Búzios, Tupi, Marlim Sul e Jubarte.

O Plano de Negócios 2026-2030, recentemente aprovado, reconhece o desafio a ser enfrentado para a recomposição das reservas de petróleo e gás natural, considerando a produção esperada para os próximos anos. Será necessário maximizar o fator de recuperação dos ativos já descobertos e orientar investimentos para a exploração de novas fronteiras. Além das bacias do Sudeste, já conhecidas, o Plano conta com os prospectos da Margem Equatorial, da Bacia Sergipe-Alagoas e da Bacia de Pelotas.

O futuro da Petrobrás não se resume, no entanto, ao sucesso nas atividades de exploração e produção, consideradas essenciais à obtenção e à manutenção de reservas de óleo e gás compatíveis com o desenvolvimento econômico e com a segurança energética do Brasil. As estratégias definidas no Plano Estratégico 2050 procuram conciliar o foco em óleo e gás com a garantia do abastecimento nacional de combustíveis, com a diversificação em negócios de baixo carbono, inclusive produtos petroquímicos, fertilizantes e biocombustíveis, e com a transição energética em curso no planeta.

A única coisa que sabemos sobre o futuro é que ele será muito diferente e que nenhuma área de atividade estará a salvo das mudanças que virão. A indústria do petróleo não será exceção. Um grupo crescente de analistas acredita que, salvo ocorrências geopolíticas relevantes, o mercado mundial manterá preços mais baixos para o petróleo por um período de tempo razoavelmente longo. As pressões ambientais, a competição com a eletricidade gerada por outras fontes, a introdução dos veículos elétricos no mercado e os ganhos de eficiência energética poderão reduzir a demanda no futuro mais distante.

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As grandes companhias petroleiras demonstram graus variados de preocupação com as transformações que poderão influenciar o futuro da indústria. As mais atentas vêm procurando se posicionar estrategicamente para enfrentar as dificuldades de um mercado que pode se tornar cada vez mais restrito e mais competitivo. Novos modelos de negócios estão sendo introduzidos, visando a integração de atividades, do poço ao posto, a agregação de valor ao petróleo e ao gás, os investimentos em renováveis e o desenvolvimento de tecnologias disruptivas na área de energia, dentre outros. São opções importantes para os produtores com maiores custos de exploração e produção, a exemplo daqueles que exploram jazidas em águas profundas e ultraprofundas.

Nossa maior e mais importante empresa estará inserida em um futuro com essas características. A Petrobrás deve ser preservada e protegida de políticas governamentais destrutivas, como as que foram praticadas nos dois governos anteriores, para que ela possa seguir o seu destino e alcançar o futuro desenhado em seu planejamento estratégico. Um futuro que a sociedade brasileira não deverá esquecer.

*Eugenio Miguel Mancini Scheleder é engenheiro e trabalhou na Petrobras de 1963 a 2015. Foi Gerente de Empreendimentos, Gerente Geral de Engenharia e Assistente de Diretor. Cedido ao Governo Federal, de 1991 a 2005, ocupou cargos de direção nos ministérios de Minas e Energia e do Planejamento: Secretário Nacional de Energia Adjunto, Presidente da Comissão Nacional de Gás Natural, Diretor de PROCEL e CONPET, Diretor de Gestão, Diretor de Programas Estratégicos e Assessor Econômico do Ministro do Planejamento.

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