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Luciano Seixas Chagas

Venda do campo de Maromba contraria discurso

referenda a política perniciosa assumida pelos últimos gestores da Petrobras. A venda é deletéria e o valor a ser recebido é ridículo, ou s

Publicado em 12/03/2019
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referenda a política perniciosa assumida pelos últimos gestores da Petrobras. A venda é deletéria e o valor a ser recebido é ridículo, ou seja é menor que US$ 100 milhões ou o preço de um poço do pré-sal, os míseros US$ 90 milhões, e a prestação. Absoluto Lesa-Pátria. Maromba tem 7 poços perfurados e 5 descobriram óleo de 17,7 graus API, em reservatórios situados à profundidades entre 2400m a 3000m com reservatórios espessos, de até 60m em um dos seus reservatórios. Todos os poços têm estudos completos ou seja a Petrobras investiu intensamente para bem caracterizar os reservatórios e o total investido é mui superior ao valor da venda anunciada. Estamos dando de mão beijada o ativo que tem como reservatório principal arenitos do pós -sal, do cretáceo- maastrichtiano, e também óleo em arenitos do Terciário, mais rasos, e em carbonatos do cretáceo, mais profundos, todos já constatados pelos 5 dos 7 poços já perfurados.

Fazendo uma conta de padeiro, com valores para baixo e a favor do negócio ora anunciado, digamos que 10 poços de Maromba produzirão 65 mil barris/dia e que cada poço de produção, raso e em lâmina d’água de 170m e profundidade média de 2500m, custará US$ 30 milhões. As despesas totais serão assim 300 milhões pelos poços somados a outros 100 milhões em infraestutura de produção, mais uma FPSO ou similar, com capacidade de 50 mil barris/dia (a produção se dará no limite da FPSO) com custo de US$ 0,8 bilhão.

Do lado da receita, com todos os poços em atividade, serão geradas valores de U$ 3,0 milhões/dia com o óleo estimado a US$ 60/bbl que, em 300 dias de produção/ano (65 dias para manutenção), gerarão receitas de US$ 0,9 bilhões/ano (50.000 x 60 x300), limitados pela capacidade da FPSO ou seja reduzindo a capacidade diária ou a vazão dos poços para 50 mil barris (5 mil/poço).

As despesas totais foram superestimadas em US$ 1,2 bilhões e as receitas são da fase pico, maiores, o que não é real para os dois primeiros anos. Se reduzida a receita anual para apenas US$ 0,45 bilhões/ano (1/2 do total nos 2 primeiros anos), o projeto, a grosso modo, se pagaria em 2,66 anos ou mui menos, a depender da quantidade de poços perfurados a cada ano. Lógico que deverão ser acrescidos custos de injeção, etc. e, em contrapartida, a receita para amortização seria obtida após se equipar o primeiro poço, ou seja seria paulatinamente antecipada o que melhoraria sobremaneira o fluxo de caixa do projeto, com consequente redução do CAPEX. Estamos falando apenas dos dispêndios e das receitas.

De todo o modo os valores básicos estão mostrados e pergunto a todos que desejarem construir um CAPEX a partir do momento atual, falo de um campo já delimitado, ou seja desconsiderando os investimentos exploratórios e delimitatórios feitos (7 poços mais estudos de toda a ordem) que não mais representarão gastos para a BW. Também estão desconsiderados na conta, os valores de outros importantes upsides que existem e já estão comprovados no Campo de Maromba.

Pergunto a quem entende: Isto é um bom negócio ou apenas mais um projeto de privatização da Petrobras? Quisera eu ter grana como a BW, para negociar com a Petrobras comandada pelo senhor Castello Branco, irmão siamês do senhores Bendine, Pullen Parente e Ivan, todos absolutamente financistas, que inventaram o mote que uma empresa estatal petrolífera horizontalizada e focada exclusivamente em E&P, é melhor que uma empresa petrolífera verticalidade a exemplo de todas as outras, estatais ou não. Esta é uma invenção ímpar destes "grandes gestores brasileiros com as suas vastas experiências em gerir empresas de petróleo" (sic., sic., sic…) e que não têm um mínimo conhecimento da atividade, exceto em finanças.

O que me impressiona é que todos os projetos e vendas têm visões exclusivamente financeiras, são imediatistas, com ganhos apenas de curto prazo e grandes perdas futuras, comprometedoras de ganhos para uma empresa ou a nação a quem pertence. Do jeito que vai a Petrobras perderá valorosos fluxos de caixa, o faturamentos e assim o seu "market share". O modelo adotado é o de sempre, o de economia absoluta de custos, intensamente para os muitos dos andares inferiores, e ganhos substanciais para os donos do capital financeiro, e para os seus reduzidos números de gestores.São os mesmos métodos usados pelos senhores Lemann, Teles e Sucupira nas Brahma, Big Burger e Heinz,etc., e o da escola econômica do Falconi, que, como bem disse o Luís Nassif, só agora mostra agora a sua verdadeira face, real e perversa, ou seja, não incorpora os ganhos de inovação, tornando-se assim de naturezas e futuros incertos, com grandes possibilidades de perdas pela obsolescência consequente. E assim a água vai minando para dentro do navio Petrobras. Enquanto isso os empregos dos brasileiros são sacrificados e os salários achatados. Como reforma trabalhista não produziu os ganhos prometidos, a grande falácia agora é que eles só ocorrerão após a “redentora" reforma da previdência, a que teima em manter o Brasil desigual. Ninguém propõe que se adeque ao teto constitucional os salários dos privilegiados com valores substantivos acima dele. Não findamos com os penduricalhos que abundam no setor público e não se enxugam as inchadas máquinas legislativas, executivas e judiciárias em todas as esferas de poder, ou sejam, não se tomam as medidas importantes que deveriam preceder cada reforma e tais mudanças, moralizadoras, nem ao menos propostas, pois certamente desestabilizarão quaisquer governos realmente moralizadores, pois não contarão com a elite que realmente manda no Brasil desigual impondo suas regras intestinos.

E a dívida pública que realmente é a maior despesa! Qual a proposta para resolvê-la e os custos anuais dela decorrente? Mas a reforma previdenciária sem os atos precedentes é necessária, dizem e, assim, sempre os pobres e a classe média ficam com os ônus. Os bônus e perdões das elisões e evasões fiscais sempre são para os do andar de cima. Como disse há pouco um desembargador de São Paulo “se for para diminuir o seu maiúsculo salário um juiz não poderá ir a Miami comprar um Armani, “instrumento fundamental para o seu trabalho” acho que, incluído no auxílio gravata. Tudo isso fora a duplicidade dos substantivos salários previdenciários pagos aos membros os 3 poderes. os abonados aposentados especiais, que acumulam vencimentos. Está difícil consertar o País, não?

Tornando a Petrobras e aos seus “excelentes gestores” dos últimos anos, os que desmilinguem a empresa e diminuem o Brasil, a liquidação continua e a promessa de melhora será sempre uma constante e cada vez fica mais distante. Imagino que os ganhos a serem colhidos ocorrerão no reino do céu ou do inferno.

Resumindo “tudo como dantes no quartel de Abrantes”, enquanto lá fora, no primeiro mundo, empresas estratégicas são reestatizadas para poder cumprir as finalidades substantivas dos seus países, as desfeitas pelo capital financeiro privado, o concentrador de renda. Estamos sempre num estádio anterior, ansiosos por privatizar totalmente as empresas, principalmente as que exercem as atividades fundamentais e propiciam o progresso da nação Brasil.

Luciano Seixas Chagas é geólogo

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