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Rota do futuro: Brasil está pronto para participar da corrida global pelo lítio?

Reservas brasileiras são significativas se comparadas a líderes como Austrália, Chile e China

Publicado em 04/07/2024
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Sigma Lithium
Foto: Sigma Lithium

O Brasil emerge como um jogador na corrida global pelo lítio, mineral essencial para a transição energética e a produção de baterias para veículos elétricos.

Nos últimos tempos, o minério ganhou destaque nas manchetes internacionais após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e analistas ligarem a tentativa de golpe na Bolívia a interesses externos pelo elemento.

O país boliviano recentemente assinou acordos com a China e a Rússia para explorar lítio. Vale ressaltar que o território abriga cerca de 23% das reservas mundiais do mineral.

O que é lítio e para que serve?

O lítio é encontrado em fontes de água mineral e em minerais como a petalita. Ele é usado na fabricação das baterias de íon de lítio, importantes para diversos eletrônicos e carros elétricos. Além disso, tem seu uso em determinados medicamentos de estabilização de humor.

O Brasil possui cerca de 1,7% da produção mundial de lítio e ocupa a posição de quinto maior produtor do mundo, segundo a presidente da Associação Paulista de Geólogos (APG) Luciana Ferrer.

Embora seu percentual na produção global pareça modesto, o país está entre os sete maiores em termos de reservas. "As reservas brasileiras são significativas quando comparadas com países líderes como Austrália, Chile e China. No entanto, a exploração e produção ainda têm um grande potencial de crescimento", afirma à Sputnik Brasil.

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Onde fica a maior reserva de lítio do Brasil?

Pesquisadora e doutora em ciência do sistema terrestre pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Ferrer comenta que, atualmente, as principais regiões de exploração de lítio no Brasil estão concentradas em Minas Gerais, especificamente no Vale do Jequitinhonha e Mucuri, abrangendo as províncias Borborema e Vale do Jequitinhonha. Segundo ela, tais áreas são ricas em depósitos de lítio e têm atraído investimentos.

O Brasil tem firmado parcerias estratégicas com empresas internacionais para a exploração de lítio. Segundo Ferrer, entre as principais estão a Sigma Lithium, a Companhia Brasileira de Lítio (CBL) e a Latin Resources.

Além disso, a crescente demanda por baterias de carros elétricos tem impulsionado a importância do lítio no cenário global. "A discussão sobre a importância do lítio foi um dos destaques no evento Lithium Supply and Battery Raw Materials 2024, onde representantes da ANM [Agência Nacional de Mineração] destacaram a qualidade do nosso lítio verde", comenta.

Segundo ela, há rumores de que gigantes como BYD e até Elon Musk estariam interessados no lítio brasileiro, embora não haja confirmações oficiais do governo.

"A estabilidade política de uma nação é crucial para a negociação de minerais e commodities. O Brasil, com sua soberania sólida e reservas estratégicas, é uma peça-chave no cenário geopolítico", observa.

Intervenção do Ocidente na exploração do lítio

Ferrer afirma que "a intervenção dos Estados Unidos no cenário geopolítico mundial é histórica", citando exemplos como a exploração de petróleo na Venezuela e no Oriente Médio e terras-raras na Bolívia, que geram ofensivas estadunidenses.

"De alguma forma, sempre interfere na estabilidade econômica", completa, mencionando a flutuação da moeda americana e o consequente impacto na economia mundial.

Em termos de infraestrutura, segundo a pesquisadora, o Brasil tem se preparado para a exploração e o processamento de lítio em larga escala.

O Serviço Geológico Brasileiro (SGB) e a Agência Nacional de Mineração (ANM), vinculados ao Ministério de Minas e Energia, têm publicado estudos e anuários que destacam os investimentos em pesquisa de lítio, ainda que os aspectos ambientais e regulatórios possam sofrer discussões.

"Há um esforço significativo para promover a mineração sustentável nas regiões produtoras de lítio, com previsão de investimentos por agências de fomento como BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], FINEP [Financiadora de Estudos e Projetos] e Embrapii [Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Cultural]", finaliza.

Fonte(s) / Referência(s):

Jornalismo AEPET
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