Raul Bergmann
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Estatal e Iniciativa Privada - eis a solução para o desenvolvimento de um país (2)

Parte II – Possibilidade de retomar nossa Soberania

Publicado em 02/09/2026
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4 - Retomada de um Desenvolvimento do Brasil com Justiça Social

4.1 – Modelos de sucesso disponíveis

Com a instabilidade atual no mundo inteiro – Europa não se envolvendo com o conflito dos EUA no Oriente Médio, consequência de embargos econômicos, retomada das soberanias nacionais, desenvolvimento da China – pode-se vislumbrar uma volta das soberanias nacionais, aumentando a interdependência entre as nações.

Os diversos países necessitarão prioritariamente para sua sustentabilidade de água, alimentos matérias primas e energia, e o Brasil tem grande potencialidade para participar no atendimento dessas necessidades, além de uma população com alto nível de integração, socialização e ansiosa por uma oportunidade e qualificação para melhoria de qualidade de vida.

No Brasil vivemos os dois modelos de Estado Indutor e Estado Mínimo, e os resultados estão aí para mostrar o caminho. A população e as lideranças nacionais devem debater e conseguir que os Governos (Legislativo, Executivo e Judiciário - federal, estadual e municipal), gestores do Estado, tenham comprometimento e capacitação para a qualificação do Estado visando o nossa Soberania Nacional, e um desenvolvimento com justiça social.

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Vale citar o exemplo atual da China, onde o Estado, por 50 anos, mesmo atraindo, com controle estatal, empresas e investimentos estrangeiros, tornou o país um dos mais desenvolvidos do mundo, com um PIB/capita mais de oito vezes superior ao nosso. Começaram com um projeto de desenvolvimento, inclusive com apoio de técnicos estrangeiros capacitados, como Peter Drucker. Adotaram o Estado como indutor do desenvolvimento, investindo em insumos básicos e desenvolvimento tecnológico, financiando a iniciativa privada pela importante participação no projeto, controlando a autonomia soberana do País para garantir qualidade de vida da população.

Outras nações que não seguiram o Consenso de Washington, como a Noruega, Dinamarca, Austrália, Suécia, se tornaram autonomamente os países mais desenvolvidos do mundo, com melhores IDH e PIB per capita. Significa que temos modelos para servir de exemplo e a vivência dos resultados alcançados.

Caso interessante é a Noruega, que era um dos países de mais baixo IDH e PIB per capita da Europa quando descobriu, juntamente com a Inglaterra, petróleo no mar do Norte em 1969. Adotou o modelo da Petrobras como empresa estatal para exploração, produção e comercialização, com um grande sucesso, e, em 2001, ampliou a atuação para exploração no exterior, inclusive comprando campo de petróleo em nosso pré-sal. O Governo adotou uma política de preservação da soberania nacional, ficando com a propriedade do petróleo e usando esse recurso para o desenvolvimento, qualidade de vida da população e Previdência Social, estando hoje com o segundo IDH do mundo, um PIB per capita mais de oito vezes o brasileiro e um Fundo Soberano para a previdência de US$ 375 mil per capita.

4.2 – Sugestões para o Brasil

Assim, a solução está à nossa vista se houver consciência para conseguirmos que nosso Estado exerça sua função político-administrativa soberana no gerenciamento de uma Sociedade dentro de seu território, visando sua Soberania, desenvolvimento sustentado do país, com justiça social, para conseguir uma melhor qualidade de vida para toda população.

Evidentemente que esse processo é de longo prazo, necessitando de uma rede nacional integrada de projetos, federal, estaduais, municipais e privados, focados em uma unipolaridade estatal e privada, com soberania nacional interna e externa para alcançar esses objetivos.

Mas muito já pode ser feito para que o Estado cumpra seu papel unificador da população, indutor do desenvolvimento e das iniciativas privadas, de defesa do território e de nossas riquezas naturais, desenvolver nossa produção de bens e serviços, visando melhor qualidade de vida para os brasileiros.

4.2.1 - Soberania Nacional

Soberania nacional é o exercício de criar leis e fiscalizar seu cumprimento, com autonomia interna e externa para o País, visando uma socialização produtiva, ética e moral da população, que conduza a uma elevada qualidade de vida.

Estamos enfrentando um projeto internacional de redução de soberanias nacionais, reforçando a opressão, nos levando à submissão a interesses externos em detrimento dos nossos. Devemos muito disso aos governos gestores do nosso Estado, que aceitaram ou não tiveram condições de resistir. Além disso, nossa mídia centralizada defende até hoje esse processo, sem mostrar devidamente o fracasso generalizado para alcançar uma união nacional em defesa de nossa Soberania e desenvolvimento.

É preciso reestruturar o Estado para o atendimento de um Projeto de Desenvolvimento do Brasil, mas enquanto não for possível, podemos promover a industrialização e o trabalho, com leis trabalhistas, educação, saúde, segurança e previdência, que deem qualidade de vida aos brasileiros com justiça social. Não podemos esquecer que o grande consumidor da produção de bens e serviços é a família do trabalhador.

O Estado tem que se reorganizar, qualificar permanentemente seus funcionários e modernizar-se para se adequar a esse papel determinante de indutor da nossa competitividade, produtividade, desenvolvimento profissional e tecnológico do País, com justiça social de forma soberana. Uma redução de custos do governo deve ser consequência, e não uma prioridade como se discute hoje. A Suécia adota uma Auditoria Funcional, em que equipes de auditagem realizam análise de funcionamento de estruturas administrativas com problemas e sucesso, visando gerar propostas para uma modernização e aumento da produtividade e eficácia da ação do Estado.

Deve ser considerado que o Estado brasileiro, por meio dos impostos, é provedor das necessidades essas básicas para a população, bem como insumos básicos como energia, redes de transporte, água, comunicação, financiamento, etc. para a iniciativa privada produzir os bens e serviços necessário ao País, e responsável por uma distribuição mais justa dos resultados alcançados. Assim, Estado e Iniciativa Privada não podem ser divergentes e sim buscar uma unipolaridade para nossa Soberania e qualidade.de vida da população.

A iniciativa privada é fundamental para o nosso desenvolvimento, atendendo uma grande diversidade de necessidades da população e a capacidade de produção do País, devendo receber uma remuneração justa pela iniciativa, competência e riscos para a produção. O lucro é necessário, e a contribuição social privada é muito importante para que haja melhoria permanente do País. No entanto, quando o lucro fica exorbitante privilegiando poucos às custas do consumidor e é armazenado, não se estende ao benefício comum. Colocar essa riqueza em paraísos fiscais traz algum benefício para a sociedade?

A diferença entre o custo de produção e o valor de venda destina-se a remunerar a contribuição do Estado, do investidor privado e para investimento em continuar atendendo as necessidades nacionais. Ou seja, é importante uma unipolaridade de objetivos entre Estado e Iniciativa Privada para sustentar o desenvolvimento do País com qualidade de vida da população, no longo prazo, com o devido equilíbrio de demanda e oferta nacional.

Além disso, deve ser considerado que o atendimento das necessidades básicas e desejos do trabalhador deve ser por uma remuneração justa, mas que ele também participe nos resultados obtidos. O principal capital do trabalhador é sua vida, dedicada a essa produção.

Assim, o Estado deve assumir uma estratégia de retomada da exploração de nossas riquezas naturais, indução da produção de bens e serviços, que nossa população tem amplas condições de executar, de absorver e produzir as tecnologias necessárias, estruturando uma capacitação e funcionamento institucional, público e privado, do País, visando colher os resultados para o Brasil e os brasileiros.

As nossas riquezas naturais são propriedade dos brasileiros, e o Estado deve recuperá-las para benefício dos proprietários. Isso deve ser feito retomando sua exploração e produção por Empresas Estatais, como a Vale, Petrobras e a Eletrobras, ou por Empresas prestadoras de serviços, com uma remuneração justa e por prazos determinados renegociáveis, que garantam a propriedade, resultados e agregação de valor para o País, principalmente a longo prazo.

Deve ser retomado o controle do acesso internacional ao nosso sistema hidroviário, como é feito no rodoviário e aéreo, para evitar eventuais abusos a nossa soberania, como tráfico e exportação descontrolada de bens.

O critério jurídico e tributário, entre empresas brasileiras (capital e lucro nacional) e empresas estrangeiras, mesmo instaladas no Brasil (capital e lucro estrangeiro) como era antes da década de 1990, deve retornar a separação anterior, visando que a indução estatal para o desenvolvimento e soberania do País seja retomada. Essa é uma importante causa de desvio do Estado na indução de empresas nacionais para o nosso desenvolvimento, criando uma dependência estrangeira, que leva os benefícios para o exterior.

Boa parte de nossa produção industrial de somente 10% do PIB é com participação do exterior, acarretando uma correspondente transferência do lucro extraído dos brasileiros, com um baixo investimento no País. No caso da Petrobras, 40% do lucro abusivo nos combustíveis produzidos com petróleo nacional, vai para o exterior.

Outra mudança importante é uma retomada do controle estatal de nossas exportações e importações, pois o lucro para o País é diferente do privado, não só no valor, mas principalmente pelos impactos na nossa economia, sendo mais uma das causas da queda no nosso desenvolvimento.

A liberação de tarifas para exportação foi feita na década de 1990 devido à explosão da dívida pública externa decorrente do aumento dos juros americanos, mas esse problema foi recuperado, permitindo uma mudança.

A legislação deve permitir a exportação de produção nacional somente para o excedente às necessidades nacionais, pois a prioridade deve ser o atendimento de nossa sustentabilidade econômica e qualidade de vida da população, e seu resultado vise aumentar a capacidade Estatal e privada para o desenvolvimento. Em virtude da participação do Estado na competividade da produção nacional (mão de obra, energia, insumos, tecnologia), ele deve participar no resultado dessa exportação, evitando a competividade decorrente de baixa remuneração do trabalho e elevação dos preços para o consumidor brasileiro, com redução do mercado nacional e transferindo o ônus social para o Governo.

A liberação de tarifas de importação acarretou redução na produção nacional, e são produzidos por trabalhadores estrangeiros em detrimento do brasileiro, portanto reduzindo nossa capacidade laboral, salarial, consumo, transferindo lucro, capacidade de investimento e dependência nacional para o exterior.

Além disso, deve ser considerado que os produtos estrangeiros são produzidos pela exportação de nossas riquezas a valores dezenas a centenas de vezes menores, e sendo que parte de nossa riqueza é usada para pagar essa importação.

A importação deve visar ao interesse nacional, importando prioritariamente equipamentos e tecnologia ainda não disponíveis no País, e necessários ao desenvolvimento, e importando produtos visando a viabilização de uma produção nacional.

Cabe citar como exemplo, que a Petrobras foi autorizada pelo Governo a adquirir suas necessidades de insumos e equipamentos por valores superiores, dentro de limites, aos importados, acarretando criação de mais de cinco mil empresas e o atendimento de mais de 80% de suas necessidades de insumos. Seu cancelamento causou a falência de fornecedores e redução a 35% da fatia nacional nesse suprimento.

4.2.2 – Desenvolvimento sustentado

Os Governos, gestores do Estado, devem retomar seu papel de administrador, indutor do nosso desenvolvimento, e atendimento das necessidades básicas da população como saúde, educação, segurança, etc. Os investimentos fundamentais necessário à produção dos insumos básicos à industrialização e à qualidade de vida da população com confiabilidade, qualidade e menores custos, visando o lucro para a Sociedade, devem ficar com o Estado, pois podem ser regulados, tem longo prazo para execução e retorno, alto risco e tecnologia, normalmente em áreas monopolistas.

Importante salientar o compromisso do Estado com a geração de TRABALHO NACIONAL no País, aglutinando capital, insumos, energia, tecnologia e trabalhador, como a base do equilíbrio da produção e consumo, sustentáculo do capitalismo. Isso é decorrente do investimento, pois se não há trabalho não precisa trabalhador; se não há necessidade de engenharia, não precisa engenheiro; se não tiver consumidor, não precisa produção; etc.

Atualmente, em função desse grande desenvolvimento tecnológico, robotização e automação na produção e prestação de serviços, está mudando muito a função, oportunidade, necessidade e capacitação do trabalhador, de modo que deveremos atualizar nossa legislação para garantir que o aumento do resultado, produtividade e competividade resultante ,também o beneficiem justamente, pois a concentração desse resultado em poucos beneficiários impedirá o desenvolvimento levando a estagnação.

Assim, é importante o financiamento e o investimento da iniciativa privada para que ela contribua no desenvolvimento com a geração de trabalho para a produção de riquezas, produtos e serviços, caracterizado pela diversidade, menores prazos, tempo de retorno e risco que os estatais, com elevada produtividade pela gestão e concorrência, pois visam o lucro.

No entanto, esse processo sustentado pela competição no curto prazo pode resultar em minimizar custos de pessoal e insumos não estatais, maximizar lucro privado, podendo se concentrar em cartéis e oligopólios e acabar reduzindo a demanda pelo mercado nacional. O papel do Estado deve ser controlar esse processo, pois o prioritário é o lucro do País na produção nacional e a capacidade do trabalhador para sustentar a demanda na oferta.

O Estado deve colocar empresas estatais para competir em setores passíveis de oligopólios e cartéis visando sua regulação, como o financeiro, educação, saúde, ou na distribuição de produtos e serviços produzidos em monopólio, como telecomunicações, combustíveis, eletricidade, etc.

Além disso, o Estado e as Empresas Estatais devem ser considerados como um grande mercado consumidor para a produção nacional, com grande contribuição para o seu desenvolvimento e sustentabilidade, aumentando nossa Soberania e oportunizando aumento de nossa competividade com o exterior,

Assim, Estado deve atuar nesses processos visando a geração de trabalho, desenvolvimento tecnológico e capacidade de produção no País, e indução ao investimento privado. Para tal deve ser procurada uma unipolaridade de objetivos que sustentarão nosso desenvolvimento com demanda e qualidade de vida da população, no longo prazo.

O sistema financeiro deve ter sua atuação redefinida em dois modelos:

- investimento é a alocação de recursos, inclusive financeiros, para a produção de bens e serviços, que tem maiores prazos e riscos para retorno, portanto com maiores lucros justos;

- varejo financeiro é a alocação de recursos financeiros de poupança-empréstimo, visando movimentar a economia, com lucros em curto prazo mais garantidos, e menores riscos, portanto devendo praticar juros mais baixos para serem justos.

Hoje, a prática do maior juro do mundo pelo mercado financeiro, como controle da inflação, além da concentração de riqueza, está inviabilizando o investimento em capacidade produtiva nacional e redução do mercado consumidor. Esse juro deve ser tratado prioritariamente como importante ferramenta para desenvolvimento de nosso processo produtivo para aumento mercado consumidor, e não como concentrador de renda.

Como exemplo, cabe citar que a compra de ações de empresas no seu lançamento é um investimento, pelas suas características, sendo considerado mercado primário de ações, e que sua comercialização posterior é uma aplicação no varejo financeiro, pois implica unicamente na expectativa de lucro em menor prazo e risco, sendo considerado mercado secundário de ações.

Essa diferença era o modelo dos EUA, sendo uma das bases de seu desenvolvimento e geração da maior poupança interna do mundo, mas, na década de 1980, foi eliminado, acarretando crises financeiras como a de 2008, e hoje a maior dívida externa do mundo.

A entrada capital estrangeiro em nossa capacidade produtiva estatal e privada, implica no envio do lucro obtido no mercado brasileiro para o exterior, praticamente sem reinvestimento no Brasil. Quando imprescindível para nós, deve ser feito por prazo determinado para renegociação e com transferência de tecnologia, visando fomentar o aumento de nossa autonomia de produção.

Outro fator importante é transferir o atual Imposto de Renda sobre o lucro das empresas para uma distribuição direta para os investidores. Isso acarreta que, em lugar de transferi-lo para o custo de produção, portanto para o mercado consumidor, ele irá para o investidor, que deverá decidir se o deposita no varejo financeiro ou reinveste para aumentar sua produção e lucro futuro. Esse é o modelo dos EUA, com um imposto de renda que era de até 85% para os grandes proprietários, mas que, a partir da década de 1990 foi sendo reduzido a 50%, com consequente redução em investimentos produtivos e aumento dos fundos financeiros que pouco produzem.

4.2.3 – Justiça Social

É fundamental o Estado para a regulação funcional da Sociedade, gerando políticas, leis e normas para organizar e zelar que as relações sociais e funcionamento da Sociedade sejam ética e moralmente justas, preservando os direitos e obrigações dos indivíduos e das instituições, orientados para o bem comum, e impedindo abusos e desvios.

Para isso, os governos gestores do Estado, devem ter representatividade, competência e comprometimento com a Razão de Ser do Estado, de Soberania e qualidade de vida da população, para definir as condições para alcançar e valorizar o lado positivo do funcionamento da Sociedade, e impedir ações prejudiciais a ela e aos brasileiros.

Para tanto devemos ter leis trabalhistas que garantam uma qualidade vida compatível com a remuneração do trabalhador na produção de bens e serviços, garantindo limites mínimos, pois a concorrência interna entre empresas privadas, valendo-se de minimização de salários, levará a uma crise de mercado consumidor, sustentáculo do capitalismo e de seu retorno. Importante destacar que o foco privado no lucro é importante para a produtividade, mas a generalização no País (lucro máximo) de sua exorbitância, leva ao comprometimento do mercado consumidor, da produção e qualidade de vida da população.

O Estado deve suprir uma educação pública de qualidade como um sustentáculo do desenvolvimento. Para isso, temos que elevar a qualidade do ensino e do aprendizado, com programas atualizados e exigentes, professores competentes e bem remunerados, estrutura escolar de bom nível, e entender que o aprendizado depende muito da oportunidade de sua utilização visualizada pelo aluno, como o desenvolvimento do País. A queda na produção de bens e serviços reduzindo emprego e a qualificação necessária, estão desvalorizando a educação e o aprendizado.

O provimento de condições de Saúde é outro compromisso importante do Estado para com a população. O nosso SUS – Sistema Único de Saúde é exemplar para o mundo, mas, com restrição de recursos decorrente do nosso falho controle orçamentário, está decaindo em capacidade e qualidade no atendimento, com elevação de filas de espera, falta de medicamentos e leitos em hospitais, e mais ocorrências graves.

A Previdência é outra área importante para atuação do Estado, para dar suporte vitalício à vida da população após o fim de sua capacidade laboral. É muito importante redefinir nosso sistema de previdência pública pelas grandes mudanças sociais que estão ocorrendo e déficits no Fundo de Previdência:

- aumento da expectativa de vida das pessoas e da duração da capacidade laboral em diversos modelos de trabalho;
- redução da natalidade e aumento da quantidade de idosos no país;
- redução da contribuição de empregado e empregador para a previdência, em decorrência da redução do trabalho com emprego reconhecido;
- necessidade de um fundo financeiro para sustentar a previdência.

A idade de término da capacidade laboral deve ser estabelecida pelo tempo de trabalho em diferentes categorias, decorrentes da demanda física do trabalhador (ambiente fechado com/sem ar-condicionado, trabalho ao ar livre, carga física, etc.), invés do atual valor fixo de tempo de serviço para todos. O valor da aposentadoria deve estar proporcional à duração do tempo de serviço e contribuição para o fundo e expectativa de vida para cada categoria.

Seria socialmente justo que a aposentadoria fosse composta de uma parcela de valor mínimo, patrocinado pelo Estado para toda a população, devendo o restante ser proporcional à expectativa de vida em cada categoria, atendido por um fundo previdenciário composto de contribuição do trabalhador, empregador e Estado, acima do mínimo, proporcional à contribuição efetuada. Nesse processo deve ser considerada a importância desse fundo para investimento estatal remunerado, para o sucesso da economia. A Noruega dispõe de um Fundo Soberano previdenciário de US$ 375 mil/habitante, oriundo da produção de seu petróleo, tratado como patrimônio da população.

Devem ser feitas alterações na legislação para atendimento dessas necessidades básicas da população, e considerar que uma causa importante dessas deficiências e problemas está sendo muito decorrente do atual modelo de controle do Orçamento Federal, com sucessivas restrições ao seu atendimento estatal (Teto de Gastos), enquanto o elevado juro da dívida pública pago está fora desse controle orçamentário. Cabe ressaltar que em países o custo per cápita desse atendimento é bastante inferior e mais abrangente que em países onde ele é privado.

Além disso, é importante estabelecer processos para melhoria e controle da qualidade e produtividade para o atendimento dessas necessidades, de modo que os custos sejam compatíveis com os benefícios econômicos e sociais auferidos, inclusive podendo acarretar sua diminuição no Orçamento Federal.

Na área financeira será importante, também, incrementar uma rede nacional de instituições, com concorrência estatal, para financiamento de aplicações financeiras de curto prazo de retorno e baixo risco, visando aumentar a circulação da economia e mercado consumidor. Com isso a produção de bens e serviços será beneficiada, pois o aumento do consumo contribuirá para o investimento, seu lucro e desenvolvimento.

No tocante aos investimentos, devemos ter uma regulagem que os incrementem e diminuam os riscos do financiamento, com importante atuação de bancos estatais. O financiamento estrangeiro para investimento nacional será importante, desde que aos melhores custos e prazos. Esse financiamento não pode ser confundido com investimento estrangeiro, que assume para si, permanentemente, os lucros extraídos do Brasil. Isso está ocorrendo devido à entrega, a título de investimento, de empresas estatais construídas com recursos nacionais, e que está levando para o exterior o lucro extraído de nós como aplicação financeira, sem qualquer contribuição para o nosso desenvolvimento.

Outro fator importante são as consequências do grande desenvolvimento dos sistemas mundial e nacional de comunicação, que está sendo controlado de acordo com os interesses de uma minoria. Temos que implantar controle e responsabilização pela divulgação e manipulação de informação que estão semeando conflitos, descrédito e desinformação internos. A Liberdade e Responsabilidade são faces da mesma moeda, e a autonomia para as escolhas exige compromisso para arcar com as consequências.

A desagregação e manipulação da sociedade que estamos vivendo, está sendo induzida por essas redes comunicacionais monopolizadas, enfatizando os problemas e deméritos, sem atentar para as causas, impedindo um processo de unificação de vontade nacional para o nosso desenvolvimento, unindo nossos méritos e qualificações, já provados, e que gere o vislumbre de um futuro com elevada qualidade de vida.

5 - Qualidade de Vida – Felicidade da população

A qualidade de vida da população depende muito do apoio do Governo Federal, mas sua consecução se dará principalmente pela ação dos Governos Municipais e Estaduais, e das iniciativas e lideranças privadas, pois estão mais próximos das necessidades pessoais e comunitárias da população.

Para isso é importante haver projeto municipal/estadual de desenvolvimento sustentado, com justiça social, que vise atender uma qualidade vida para a população, que possibilite uma adequada aplicação regional das contribuições privadas e públicas, que se integre a um projeto nacional.

Enquanto isso não ocorrer, as estruturas organizacionais para consecução e controle do atendimento das necessidades básicas da população, como saúde, educação, segurança, etc., deverão ser estabelecidas com permanente capacitação, responsabilidade e comprometimento, integrados com a federal, de forma que tragam maior efetividade para os resultados na qualidade de vida. Na Suécia é adotada uma auditoria funcional, em que equipes auditoras analisam as funcionalidades de sucesso e com problemas nos processos administrativos, para uma permanente evolução visando a produtividade e eficácia para otimização dos resultados esperados.

Para as áreas de transporte e urbanização, serão necessários projetos e investimentos públicos que viabilizem os meios para mobilidade e moradia para a população e necessidades dos meios de produção, integrando-se com um importante suporte federal.

Devem, também, ser estabelecidos programas e apoio às lideranças para socialização da população, conforme as tendências, habilidades e anseios, como esportes, artes, cultura, espetáculos, debates, etc., abrangendo grupos de diferentes faixas etárias, e que produzam gratificação pessoal, integração e orgulho no ambiente em que vivem.

Entendo que para isso deveremos ter instalações públicas e privadas, com atividades e programas gratificantes para participantes amadores, iniciantes e espectadores. O Estado deve fomentar somente as atividades amadoras e de representação da população, ficando a profissionalização e seu suporte às instituições da inciativa privada.

Esses processos podem trazer uma consciência social para melhoria no comprometimento e capacitação da sua representação e gestão públicas, e, também, nas prioridades e resultados do Governo Federal para sua parcela no suporte.

5 – Conclusão

Essa experiência vivida nos dois modelos prova que temos todas as condições e vontade para assumir o desafio que se apresenta como oportunidade, mas depende, como em toda instituição, desde Sociedades Anônimas, grupos sociais, famílias e Governos, da capacidade, competência, apoio e comprometimento das lideranças gestoras com a Razão de Ser/Finalidades da instituição, para aproveitar os desafios, oportunidades e solução de problemas para alcançar o sucesso. Ou seja, da escolha dos líderes dos Governos e das Iniciativas Privadas comprometidos com a Soberania Nacional, Regional e Municipal para o Desenvolvimento Sustentado com Justiça Social.

A Soberania Nacional deve garantir uma autonomia do Estado, visando alcançar internamente o bem comum da população no longo prazo, e com o exterior visando o mútuo benefício, sem ameaças.

O Estado deverá orientar a rentabilidade estatal e privada para garantir um equilíbrio na demanda e oferta de produtos e serviços, visando aumento nos investimentos e insumos para a produção de riquezas, com melhoria na capacitação e qualidade de vida da população. O lucro da produção privada não pode ser tratado somente como resultado da redução de custos e/ou aumento de preços, pois sua generalização para todo o mercado acarretará redução na demanda e oferta, comprometendo o desenvolvimento e qualidade de vida da população.

Por isso, é importante uma legislação que garanta o interesse nacional com uma unipolaridade de objetivos visando uma renda do trabalho que sustente a demanda e amplie a produção nacional, num longo prazo. Além disso, com o grande desenvolvimento tecnológico atual , como nas áreas de robotização e comunicação, está se iniciando uma grande redução no trabalho humano para produção de bens e serviços, em que o benefício deverá ser estendido para qualidade de vida de toda população, e não ficar restrito inutilmente a uma minoria.

O resultado da importação, exportação e desnacionalização de nosso sistema produtivo, estatal e privado, deve ser gerido visando que a geração de lucro e capacidade da produção vise prioritariamente o interesse do Estado para a sustentabilidade do desenvolvimento e qualidade de vida da população no médio e longo prazo. A exportação de lucro extraído do Brasil por interesses estrangeiros deve ser por prazo limitado, pela contribuição ao nosso desenvolvimento industrial, tecnológico e capacitação técnica, visando a retomada de nossa Soberania.

Assim, todo o processo deve ser orientado por uma unipolaridade de propósitos do Estado e Iniciativa Privada, para sustentar nossa Soberania Nacional com Desenvolvimento e Qualidade de Vida dos Brasileiros.

 

Eng. Raul Tadeu Bergmann - Conselheiro da AEPET

 

PS - A unipolaridade de grupo e individual foi o sustentáculo da sobrevivência da humanidade, desde seus primórdios, para enfrentar os perigos e usufruir os benefícios naturais, liderados com competência, apoio e comprometimento. (Sapiens – Uma breve História da Humanidade/Yuval N. Harari).

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