Na visão do especialista, essa expansão poderia fomentar novas iniciativas e mecanismos de cooperação, consolidando o Brics como uma plataforma de coordenação para as nações do Sul Global e como um ator cada vez mais relevante na transformação da ordem internacional.
O Brics está evoluindo de uma cúpula anual para um processo permanente de cooperação e de construção de alternativas ao atual sistema internacional, explicou Mattos, em entrevista à agência de notícias Xinhua antes da 18ª Cúpula do grupo — agendada para o próximo fim de semana em Nova Délhi.
Mattos destacou que inúmeras reuniões de alto nível ocorreram no último ano entre ministros dos países-membros em áreas como juventude, ciência e tecnologia e finanças.
“Há processos em andamento e acredito que, à medida que o bloco cresce, novas alternativas e medidas surgirão”, observou o especialista, que possui doutorado em Relações Internacionais e especialização em Economia Política Internacional.
O papel do NDB e do Brics para Sul Global
Ele ressaltou o papel do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), sediado em Xangai, como uma estrutura institucional voltada para o desenvolvimento de longo prazo e a construção de infraestrutura, bem como para a promoção de novos mecanismos de financiamento e pagamento.
Segundo Mattos, esses mecanismos podem ajudar a reduzir a dependência do dólar e ampliar as alternativas financeiras disponíveis para as nações do Sul Global.
“Tanto o Novo Banco de Desenvolvimento quanto o aprofundamento da cooperação entre os países do Sul Global são mecanismos cruciais para o sucesso desse processo”, afirmou.
O especialista também destacou o papel significativo que o Brics desempenha diante do crescente protecionismo e das tensões no comércio internacional — uma situação que, em sua visão, agravou-se durante a administração do presidente Donald Trump.
Nesse contexto, ele argumentou que os países-membros — tanto individual quanto coletivamente — podem ajudar a impulsionar a reforma da governança global e promover uma maior democratização nas instituições internacionais e multilaterais.
“Como núcleo da reforma da governança global, o Brics tem um papel fundamental a desempenhar”, disse Mattos, acrescentando que o grupo poderia se tornar uma “força motriz” para tais mudanças.