
A Pobreza Oculta
1% mais rico que a metade do valor total de todos os ativos existentes no planeta
Segundo o insuspeito Global Wealth Report, estudo anual publicado pelo Credit Suisse Research Institute, a riqueza de 1% da população mundial alcançou, em 2018, pela primeira vez, a metade do valor total de todos os ativos existentes no planeta. Isso significa que, naquele ano, 1% da população mundial possuía tanto dinheiro líquido e investido quanto os 99% restantes. O estudo informa, ainda, que essa enorme disparidade vem aumentando desde o início da crise financeira mundial, em 2008. A última edição do Global Wealth Report, em 2026, é focada no crescimento e na distribuição da riqueza em todo o mundo e destaca o aprofundamento da desigualdade, uma vez que, enquanto a riqueza global cresceu 10,8% em 2025, a riqueza mediana diminuiu na maioria dos mercados. Isto significa que a maioria da população mundial ficou proporcionalmente mais pobre.
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A economia capitalista, amplamente majoritária no mundo, não tem conseguido, portanto, distribuir, de forma justa, os benefícios do crescimento econômico e do desenvolvimento tecnológico. Dentro de cada país, mesmo daqueles mais ricos, subsistem enormes contingentes de populações pobres, desassistidas e carentes. Há um convencimento, cada vez maior, da necessidade de estruturar um modelo "pós capitalista", com maior ênfase no trabalho e nos benefícios sociais.
O capitalismo gerou uma parafernália de instituições, formada por bancos centrais, redes bancárias, fundos de investimentos, bolsas de valores, agências avaliadoras de risco e outras organizações correlatas, cujo conjunto constitui um ente abstrato que costumamos chamar de Mercado. Atuando em consonância com interesses definidos no nível global, o Mercado dispõe de um poder quase insuperável, influenciando a gestão das empresas e a adoção de políticas governamentais. Ele se opõe à intervenção estatal na economia, questiona as políticas de inclusão social e de valorização do trabalho, desaprova os programas de distribuição de renda e de redução das desigualdades e combate a regulação externa e a tributação dos ganhos de capital. No geral, defende o liberalismo econômico e o conceito de Estado mínimo.

O Estado mínimo é um conceito falso, incompleto e manipulador, gerado pelo neoliberalismo. A atuação do Estado é absolutamente necessária para fazer distribuir a riqueza produzida em um país, geralmente apropriada pelas empresas privadas para acumular capital, em detrimento dos trabalhadores. O Estado deve se ocupar, também, da regulação do mercado, para evitar os excessos usualmente praticados pelos proprietários dos meios de produção E, finalmente, o Estado é essencial para o estabelecimento de políticas públicas de proteção social direcionadas às parcelas mais necessitadas da população, garantindo-lhes saúde, educação, justiça, seguridade e bem estar social.
Nas eleições deste ano no Brasil, temos observado uma clara preferência do Mercado pela alternativa liberal. Logo após o 1º Turno, foi divulgada uma pesquisa de intenção de voto para presidente em 2º Turno, mostrando uma ampliação da vantagem do candidato liberal. O dólar caiu, O índice Ibovespa da Bolsa de Valores de São Paulo subiu 5% e as ações da Petrobras 10%, , em um único dia.
Fico imaginando o que aqueles que se opõem às políticas sociais do governo brasileiro pensam sobre os mais pobres. Gostaria de saber como eles explicam que milhões de pessoas acumulam tantas carências enquanto uma elite econômica acumula riquezas. Por isso, cada vez me encanto mais com as prioridades que orientam as ações do atual governo. Que beleza de espírito tem o governante que, estando no topo da hierarquia, se lembra de conceder benefícios para os que nada têm. Priorizar o povo é um passo que os conservadores não conseguem dar. Imaginem priorizar a parcela do povo que está perto da morte, devido à idade, ao grau de inanição e de doenças, e que, certamente, não dará retorno eleitoral. Pois bem, a prioridade conferida aos brasileiros mais necessitados conseguiu, em dois períodos de governo, postergar a morte de 36 milhões de pessoas.
Os conservadores, donos da grande mídia e de grandes fortunas, continuam preocupados com a permanência do atual governante na presidência. Tudo fazem e tudo farão para que ele não continue no governo em 2027. Mas, a escolha final é nossa.
Em: 17 de outubro 2026
*Eugenio Miguel Mancini Scheleder é engenheiro aposentado da Petrobras. Também ocupou cargos de direção nos ministérios de Minas e Energia e do Planejamento, de 1991 a 2005. Após deixar a Petrobras, foi capacitado na função de Mediador Extrajudicial pela Câmara de Conciliação, Mediação e Arbitragem – CCMA/RJ.
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