Eugenio Miguel Mancini Scheleder
Eugenio Miguel Mancini Scheleder
Eugenio Miguel Mancini Scheleder é Engenheiro Mecânico e trabalhou na Petrobrás por 52 anos.

O Brasil que nós queremos

Seria uma indecência se eu votasse pelos meus interesses.

Publicado em 23/09/2026
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*Eugênio Miguel Mancini Scheleder

 

As eleições estão chegando. É o momento de decidirmos que Brasil queremos no futuro. Por respeito aos meus amigos, não vou indicar candidato algum, vou apenas revelar as razões e os valores que orientam o meu voto. Várias candidaturas estão postas, porém, na minha opinião, apenas dois candidatos prevalecem. O primeiro candidato propõe a construção de um país onde todos tenham oportunidades iguais, defendam a democracia, a liberdade e os direitos humanos e promovam a inclusão social e econômica de todos os brasileiros. Um país que valorize o trabalho e os salários e lute contra a fome, a miséria e a violência.  Que combata a discriminação religiosa, de raça e de gênero, cuide das minorias e dos mais necessitados e estimule a formação de uma sociedade mais justa, mais tolerante e mais solidária. O segundo candidato, por outro lado, alinha-se com o mercado, com o sistema financeiro e com os interesses internacionais e está disposto a negociar, sem limites, as nossas riquezas e a nossa soberania.

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Para decidir em quem votar, é essencial qualificar o voto. Em um país livre, democrático e soberano, o voto qualificado de um cidadão ou cidadã é a expressão máxima dos seus valores éticos e sociais, da sua identidade pessoal e da sua relação com o próximo. Faltando poucos dias para as eleições, estou qualificando o meu voto.

Sou eleitor no Rio de Janeiro, do sexo masculino, branco, com formação universitária e 88 anos de idade. Fui bem cuidado desde que nasci, nunca sofri maus tratos e nunca passei por necessidade.  Minha família pagou o meu sustento, o meu colégio e as despesas do meu curso de engenharia. Tive uma infância saudável e, na juventude, pude me divertir, praticar esportes, estudar idiomas, viajar. Fui criado em meio a livros, filmes, música e comemorações. Nunca fui assaltado. Trabalhei durante 56 anos, com ocupações e salários satisfatórios. Estou aposentado, tenho plano de saúde e recebo benefícios do INSS e de previdência privada. Tive os bens que precisei, inclusive casa própria, e meus 5 filhos e enteados estão criados. Vivo no meu próprio país e nunca precisei abandoná-lo para fugir de desemprego, violência, perseguição política ou de uma guerra.

Alguém acha que eu deveria votar em quem propõe defender os meus interesses? Ora, os meus interesses sempre foram atendidos desde o meu primeiro dia de vida ou, até mesmo, antes. Tive muitos privilégios e preciso do Governo muito menos do que aqueles que ainda lutam por seus direitos básicos, direitos de sobrevivência.

Eu voto por quem tem 3 anos de idade e é cuidado por um irmãozinho de 9, enquanto a mãe realiza serviços domésticos na casa dos outros — aos sábados, inclusive. Voto por quem tem 12 anos e teve que deixar a escola para ajudar na renda familiar. Voto por quem tem 18 e ainda não conseguiu o primeiro emprego. Voto por quem mal sabe escrever. Voto por quem mora nas ruas, encostas e baixadas, sofre com as tempestades, enchentes e desmoronamentos e ainda está sujeito à violência nas mãos de milicianos e traficantes. Voto por quem é discriminado por sua raça, sexo, religião ou condição social, por quem passa fome e por quem precisa do Bolsa-Família pra sobreviver.

Também voto pelos trabalhadores que são submetidos a regime de trabalho similar à escravidão, em especial no meio rural, em atividades agropecuárias, carvoarias, corte de cana, colheita de grãos e em aldeias indígenas, e que sofrem com a imposição de servidão por dívida, condições degradantes, jornadas exaustivas e isolamento.

Seria uma indecência se eu votasse pelos meus interesses.

Vou votar, também, em quem pode impedir a escalada do retrocesso, da ignorância e da irresponsabilidade de indivíduos que nunca trabalharam pelo Brasil e nunca conceberam um único projeto solidário ou de inclusão e, ainda mais, estão envolvidos em ilícitos de toda ordem. Voto em qualquer um que defenda a nossa independência, a nossa liberdade e a nossa democracia.

O voto é um bem precioso, não deve ser desperdiçado. É direito e dever do cidadão consciente. Para decidir pelo que e por quem votar, qualifique o seu voto. Você vai se surpreender.

 

22 de setembro de 2026

Inspirado em escrito de Martha Medeiros - GZH

*Eugenio Miguel Mancini Scheleder é engenheiro aposentado da Petrobras. Também ocupou cargos de direção nos ministérios de Minas e Energia e do Planejamento, de 1991 a 2005. Após deixar a Petrobras, foi capacitado na função de Mediador Extrajudicial pela Câmara de Conciliação, Mediação e Arbitragem – CCMA/RJ.

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