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Fernando Siqueira
Vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET)

Réquiem pela paz no mundo

Mesmo o ditador venezuelano sendo um ser abominável, não justifica violar a soberania do país, colocando em risco toda a América Latina

Publicado em 05/01/2026
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A guerra representa o mais grave e profundo retrocesso da humanidade. É a supremacia do instinto primitivo de sobrevivência — o “cérebro reptiliano” — sobre a empatia, a razão e a consciência ética. Nada há de civilizado em bombardear populações, matar crianças pela fome ou pela violência direta, como ocorre em Gaza e na Palestina; nem em prolongar conflitos como o da Ucrânia; tampouco em forçar migrações em massa de pessoas de países pobres e rejeitadas como indesejáveis nos países ricos, muitas vezes condenadas à morte em travessias em barcos em condições precárias. Tudo isso é vergonhosamente desumano.

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Segundo relatório da ONU (2024), o mundo gastou cerca de US$ 2,7 trilhões em armamentos em um único ano — valor suficiente para erradicar a fome global por décadas. Sem guerras, não haveria tamanha miséria nem desigualdade extrema. Ainda assim, o país mais rico do planeta, os Estados Unidos, abriga 43 milhões de pobres, dos quais 18 milhões vivem em extrema pobreza. Se isso ocorre no centro do sistema, o que esperar dos países periféricos? O capitalismo selvagem produz indiferença, destrói o humanismo e deforma as mentes, tornando normal e aceitável o sofrimento alheio.

O ser humano é a única espécie que elege líderes idiotas, incompetentes, narcisistas e destrutivos. A história recente está repleta de exemplos. Animais escolhem os mais aptos para os liderar; nós, frequentemente, escolhemos os piores. Não é surpresa que o mundo esteja tão desestruturado, à deriva. O presidente dos EUA acaba de violar as leis internacionais invadindo um país para lhe tomar o petróleo. Os EUA estão numa insegurança energética, pois tem uma reserva de 40 bilhões de barris e consomem 8 bilhões por ano. Mesmo o ditador venezuelano sendo um ser abominável, não justifica violar a soberania do país, colocando em risco toda a América Latina. Até a Marine Le Pen, ultradireitista francesa condenou a invasão: “A soberania dos estados é inegociável...Ela é inviolável e sagrada”. O “pretenso xerife” atropelou todos os escrúpulos possíveis.

O astronauta Ron Garan, após 178 dias no espaço, afirmou que a humanidade vive uma ilusão: “da órbita terrestre não se veem fronteiras, raças ou religiões — apenas uma nave frágil, única, abrigando oito bilhões de pessoas. Não há outro lar possível, não há plano B”, afirmou ele.

A ciência moderna confirma o que antigas tradições espirituais já ensinavam há milênios: tudo está interligado. A física quântica demonstra que partículas permanecem conectadas mesmo a distâncias inimagináveis. Isto só é possível porque existe um campo permeando e interligando tudo. Campo eletromagnético, matriz divina. Não importa o nome dado a esse campo universal — ele existe e nos une. Somos feitos das mesmas partículas; compartilhamos a mesma origem e o mesmo destino. Tudo é energia, tudo vibra, tudo se relaciona.

O psiquiatra e neurocientista David Hawkins demonstrou que estados como amor, compaixão, perdão e gratidão elevam a vibração da consciência humana, enquanto ódio, medo, ganância e ego exacerbado a degradam. A violência coletiva é reflexo de uma humanidade que vibra em frequências baixas, com falta de amor fraternal.

Somos, portanto, irmãos — física, biológica e espiritualmente conectados. O sofrimento de um reverbera em todos. As bombas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki deveriam ter sido um ponto final na insanidade bélica. Não foram. A indústria da guerra, altamente lucrativa, transformou a destruição em negócio. Países competem em arsenais capazes de exterminar a vida no planeta várias vezes. Quem autorizou essa elite armamentista a brincar com o destino da humanidade?

A falácia de que a paz se impõe pelo poder das armas sustenta apenas o lucro de poucos. Eles ignoram que caixões não têm gavetas. Nada se leva para a outra dimensão além do legado deixado — e esse legado hoje é de destruição, desonra e vazio moral.

Racismo, desprezo pelos pobres, violência contra as mulheres, devastação ambiental e crescimento do crime organizado são sintomas do mesmo colapso ético. Muitas vezes, já não se distingue o crime organizado das práticas do “mercado” global. A lógica da ganância corrói tudo o que toca.
A concentração de riqueza é obscena: 1% da população detém cerca de 50% da renda mundial. Os outros 99% disputam o restante. Essa desigualdade não é natural; é construída. Ela alimenta conflitos, medo, que incentiva o consumismo, portanto o lucro e a submissão.

Somos partes de uma mesma sinfonia, ondas do mesmo oceano, células de um mesmo organismo vivo. Temos 36 trilhões de células executando milhares de reações por segundo, 42 trilhões de bactérias positivas e 86 bilhões de neurônios. Portanto a vida não é fruto do acaso cego, mas de uma inteligência altamente criativa, o que exige responsabilidade, não exploração. A ambição de poucos e a ignorância de muitos nos fazem viver como ilhas isoladas, quando somos partes de um só corpo.

É hora de romper esse ciclo. É hora de priorizar a paz, a justiça social, o respeito aos direitos humanos e a harmonia com a natureza. Viver com dignidade, amor e igualdade é possível e extremamente necessário. Que a antiga mensagem dos hippies, dos anos 1970 continue atual e urgente: façamos o amor, não a guerra.

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