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Dívida externa está pior que da Alemanha pós-guerra

Países em desenvolvimento gastam mais de 6% das exportações com serviço da dívida externa; taxas são 12x maiores que dos países ricos.

Publicado em 20/06/2024
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Pobreza, Etiópia (foto de Claire Nevill, WFP)

Os custos dos empréstimos dos países em desenvolvimento excedem em muito os dos países desenvolvidos. As regiões em desenvolvimento contraem empréstimos a taxas 2 a 4 vezes superiores às dos Estados Unidos e 6 a 12 vezes superiores às da Alemanha. Com a alta dos juros imposta pelos EUA a partir de março de 2022, a dívida pública externa dos países em desenvolvimento explodiu.

Ao final de 2022, a dívida pública externa dessas nações atingiu US$ 3,2 trilhões. Para metade destes países, o débito público externo atingiu ao menos 28,4% do PIB e 92,4% das suas exportações. “Ambos os indicadores apresentam melhorias desde 2020, marginalmente no caso do PIB e substancialmente no caso das exportações. O principal impulsionador da diminuição da relação dívida pública externa/exportações é a evolução das exportações, que registaram uma queda acentuada durante a pandemia, seguida de uma forte recuperação num contexto de preços elevados das matérias-primas em 2022”, destaca a Unctad no estudo A World of Debt 2024, já abordado nesta coluna.

O serviço da dívida pública externa permanece uma carga pesada, atingindo US$ 365 bilhões em 2022. “Particularmente preocupante é a evolução da relação entre o serviço da dívida externa e as receitas públicas. Os governos estão empregando o dobro dos recursos para o serviço desta dívida em relação às receitas em comparação com 2011, deixando uma parcela decrescente de recursos para investimentos no desenvolvimento sustentável.”

Além disso, metade dos países em desenvolvimento gastam ao menos 6,3% das suas receitas de exportação com o serviço da dívida pública externa. “Para efeito de comparação, o Acordo de Londres de 1953 sobre a dívida de guerra da Alemanha limitou o montante das receitas de exportação que poderia ser gasto no serviço da dívida externa (pública e privada) a 5% para evitar minar a recuperação.”

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Fonte(s) / Referência(s):

Marcos de Oliveira
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