Proposta da ANP não resolve problema do gás no Brasil
Consulta pública não resolve o principal problema da cadeia de suprimento
O sexto Boletim de Gás Natural do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), divulgado nesta segunda-feira destaca em seu editorial que a proposta de Gas Release, colocada em consulta pública pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), agência reguladora, não resolve o principal problema da cadeia de suprimento, a necessidade de ampliação de infraestrutura.
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O boletim analisa a produção, a movimentação e as tarifas industriais de gás natural no Brasil,
Segundo o Ineep, a produção de gás segue crescendo. O primeiro semestre de 2026 consolidou novo patamar para a produção brasileira de gás natural. A expansão foi sustentada pelo pré-sal e pelas operações marítimas da Região Sudeste, reafirmando características estruturais da oferta nacional – concentração territorial, predominância da produção offshore e prevalência na participação pelo gás associado.
No segundo trimestre de 2026 (2T/2026), a produção média nacional de gás natural atingiu 210,04 milhões de m³ por dia (MMm³/dia), novo recorde trimestral, frente a 173,98 MMm³/dia no mesmo período de 2025, crescimento de 20,7%. O resultado também representa alta de 5,9% em relação ao 1T/2026, quando a produção havia alcançado 198,30 MMm³/ dia. com base em informações consolidadas do segundo trimestre de 2026 e nos dados tarifários disponíveis conforme os ciclos regulatórios estaduais. O documento começa com um alerta sobre o mecanismo proposto.
“O Gás Release propõe redistribuir volumes existentes entre agentes, mas não ampliará a oferta, não construirá novos gasodutos, não expandirá a capacidade de processamento e não promoverá a interiorização da infraestrutura. Isso em um contexto em que a produção nacional segue apresentando crescimento contínuo”, diz o documento, que tem à frente da equipe técnica o pesquisador Leonardo Estrella.
O boletim destaca ainda que o preço final não depende apenas do suprimento. As tarifas incorporam custos de transporte e de distribuição, este último elo submetido à regulação fragmentada de cada estado. Mesmo uma eventual redução do preço do suprimento não necessariamente se traduz, na mesma proporção, em menor tarifa ao consumidor final.
A evolução das tarifas industriais de gás natural mostra uma trajetória de acomodação ao longo de 2025, seguida por forte recomposição no primeiro semestre de 2026. Considerando a faixa de consumo de 200 mil m³/dia no mercado cativo industrial das principais concessionárias estaduais, a tarifa média recuou de R$ 3,09/m³ no 2T/2025 para R$ 3,03/m³ no 3T/2025 e R$ 2,97/m³ no 4T/2025.
“A questão estrutural passa por ampliar a oferta de gás, e ao mesmo tempo, enfrentar conjuntamente gargalos de infraestrutura e regulação dos diferentes componentes de cada elo da cadeia, de modo a torná-lo efetivamente competitivo para a indústria”, defendem os pesquisadores do Ineep.
O avanço produtivo demonstra a relevância do gás na matriz energética brasileira, mas também evidencia que o aumento da produção, isoladamente, não é suficiente para ampliar sua aplicação.
A principal limitação permanece na oferta disponível ao mercado. A reinjeção continua absorvendo parcela predominante da produção e avançou em ritmo superior ao volume destinado ao consumo. Esse comportamento enfatiza um dos principais desafios do setor: ampliar as condições de escoamento, processamento e transporte para que o crescimento da produção possa alcançar diferentes territórios. “A tentativa de expansão do gás ainda convive com restrições estruturais que limitam sua interiorização e sua utilização”, afirma Estrella.
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