Os diferentes impactos do baixo preço do petróleo
Por Roberto Moraes. Tem sido relativamente comum uma avaliação (mais de senso comum) de que a redução do preço do barril do petróleo no mundo, seja ruim, igualmente, para todas as nações.
Por Roberto Moraes
Tem sido relativamente comum uma avaliação (mais de senso comum) de que a redução do preço do barril do petróleo no mundo, seja ruim, igualmente, para todas as nações.
É evidente que não. O baixo preço é ruim para os países produtores, em especial para aqueles petrodependentes. O mesmo vale para as regiões intranacionais.
Onde há maior consumo que produção, o baixo preço do barril tende a fortalecer a economia. Em termos de nações este é o caso atual da Índia, Polônia, Espanha, Turquia, Coreia do Sul e outros.
Nestas nações, estima-se que esta fase de colapso do ciclo petro-econômico tem trazido ganhos no PIB em torno de 1%, na medida que gera superávit na balança comercial destes países que são consumidores da commodity de petróleo, bruto, ou sob a forma de derivados e combustíveis.
De outro lado, as nações exportadoras perdem na medida em que maior volume de petróleo exportado gera menores divisas, com a consequente perda de receitas e geração de déficit em seus orçamentos.
Juntos os 13 maiores exportadores de energia viram suas reservas cambiai descerem de US$ 1,26 trilhão no final de 2013, para US$ 967 bilhões, três anos depois, no final de 2016. Assim, Argélia ficou com menos 41% de reservas; Nigéria menos 38%; Rússia menos 35%; Angola menos 30% e Catar menos 29%, etc.
Dentre os exportadores, o mais atingido em volume total é a Arábia Saudita com déficit de 16,9% no PIB. Outros nações produtoras vivem crises decorrentes da redução destas receitas quanto maior é a sua dependência, como o caso da Nigéria, Venezuela, Emirados Árabes Unidos, etc.
Para o Brasil, considerando a produção e o consumo atual, não há muita alteração, a não ser pela redução dos investimentos, comum nesta época de baixo preço do barril. Há que se lamentar é que isto ocorra exatamente durante o início da exploração/produção da enorme reserva do pré-sal.
Além disso, a "coincidência" com crise econômica-política e a virada produzida na direção do desenvolvimento do Brasil, tem levado à reversão da política de conteúdo local (PCL) que assim freia uma imensa cadeia de fornecedores de bens, tecnologia, equipamentos e serviços para o setor.
Sob o ponto de vista dos negócios (stricto-sensu) do petróleo, a Petrobras até que conseguiria ganhar vendendo no mercado interno derivados a um preço bem superior aos custos de extração do petróleo e seu beneficiamento.
A estatal só fazia isto porque até aqui era uma empresa integrada, do poço ao posto, atuando nas diferentes etapas da cadeia produtiva da exploração à distribuição dos derivados para consumo, conforme fluxograma abaixo.

O desmonte e o fatiamento da Petrobras para elas ser negociada por partes, está eliminando esta possibilidade. Além disso, os atuais dirigentes da Petrobras, liderados pelo Parente, ainda tem tornado as partes mais lucrativas da cadeia (refino e a distribuição) ociosas, em função de uma política de preços que tem levado às importações de derivados de petróleo pelas tradings.
Esta decisão levou a que as refinarias brasileiras passassem a trabalhar com 25% de ociosidade e agora em junho de 2017, o Brasil importa 550 mil barris por dia de derivados de petróleo, enquanto exporta petróleo cru. (Veja postagem aqui e aqui sobre desmonte do setor de refino no Brasil)
A Ásia é hoje uma importante base de refino de petróleo do mundo, aproximadamente 1/3 em termos de volume e quase metade de toda a movimentação financeira com esta atividade. A Ásia é também a parte do mundo onde mais cresce a demanda de petróleo e derivados do mundo. (Veja mapa abaixo)
A China hoje é um dos principais exportadores de derivados de petróleo. Em 2016, a China, sendo 2º maior importador (crescendo na razão aproximada de 5% ao ano, desde 2008) e consumidor mundial de petróleo - só atrás dos EUA - vendeu no mercado mundial quase 1 milhão de barris de petróleo refinado, faturando assim com o processamento industrial de refino.
As refinarias asiáticas são também uma das mais lucrativas, obtendo entre 15% e 20% do valor do preço do barril, com o beneficiamento e transformação em combustível. Um valor próximo a US$ 7 e que varia conforme a variação do preço do petróleo cru e da demanda mundial.

Fonte: Blog do Roberto Moraes
Link: http://www.robertomoraes.com.br/
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