Petrobrás e medidas do governo seguram repasses, diz Ineep
Boletim de Preços do Instituto mostra queda nos preços dos combustíveis e de suas margens de distribuição e revenda em agosto.
O Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) divulgou nesta terça-feira, o 40º Boletim de Preços, que mostra queda nos preços dos combustíveis e de suas margens de distribuição e revenda em agosto. No mesmo mês houve a retomada da alta do petróleo. “Diante da persistência do conflito que têm restringido o fluxo marítimo no Estreito de Ormuz, o governo federal tomou novas medidas para evitar que os preços dos combustíveis voltem a crescer”, cita o boletim.
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Após três meses consecutivos de queda, o preço médio mensal do Brent voltou a subir e ultrapassou o patamar de US$ 90 por barril. O preço da gasolina nos postos de combustíveis apresentou recuo de 0,6% em agosto, variando de R$ 6,57 por litro, no mês anterior, para R$ 6,53.
A Petrobrás manteve seu preço em R$ 2,63, com o menor valor entre as empresas analisadas e 25,4% abaixo do PPI, a referência internacional. O preço praticado pela Acelen (Refinaria de Mataripe-BA) caiu de R$ 3,90 para R$ 3,14, uma redução de 19,6% e um patamar 11,1% abaixo da referência internacional.
A Brava (Refinaria Potiguar Clara Camarão-RN) apresentou uma queda de 15,4%, chegando a R$ 3,34 no final de agosto, uma diferença 5,4% abaixo do PPI. A REAM (Refinaria de Manaus-AM – Grupo Atem) registrou uma queda de 3,2% na média de preços das suas refinarias, chegando em R$ 4,48, sendo a única a apresentar um valor superior à referência internacional, com uma diferença de 26,8%.
Distribuição e revenda
A margem de distribuição e revenda da gasolina apresentou queda após o valor recorde em julho, com um recuo de 13,0% entre julho e agosto, saindo de R$ 1,46 para R$ 1,27.
Já o preço médio nacional do diesel S10 ao consumidor se manteve estável em agosto, com pequena queda de 0,9% em relação ao mês anterior, chegando a R$ 6,90 por litro, mantendo-se em patamar abaixo da máxima dos últimos 5 anos para o mês (R$ 7,19).
Em 26 de agosto, o governo prorrogou a subvenção de R$ 0,44 por litro de gasolina até 9 de setembro, que originalmente terminaria em 25 de agosto. Em relação ao diesel, a MP 1.363/2026, que estabeleceu uma subvenção de R$ 1,12 por litro para produtores e importadores, segue válida até 26 de setembro. Além disso, o Congresso Nacional aprovou o PLP 114/2026, sancionado pelo presidente da República em 27 de agosto, que cria uma estrutura fiscal que permite à União, de forma discricionária, reduzir ou eliminar temporariamente tributos sobre gasolina, diesel, biodiesel, etanol e QAV em situações de pressão extraordinária sobre os preços.
“Os efeitos dessa combinação de medidas, juntamente com a expansão da oferta de derivados da Petrobrás e sua política de preços também aparecem nos indicadores de inflação. (…) as evidências apontam que as medidas fiscais adotadas pelo governo, combinadas com a atuação da Petrobrás na política de preços e na oferta de derivados, foram essenciais para limitar a transmissão do choque externo para os preços ao consumidor”, destaca o documento que é assinado pelo pesquisador Iago Montalvão.
Entre julho e agosto de 2026 o preço médio nacional de revenda do GLP variou de R$ 114,22 para R$ 113,9 por botijão, uma nova queda bastante tímida, de 0,3%, o que demonstra que nos últimos três meses houve estabilidade no preço desse combustível. Ainda assim, segue acima do maior preço médio registrado nos últimos 5 anos para o mesmo período, de R$ 111,62.
O preço médio nacional do etanol hidratado caiu de R$ 4,04 por litro em julho, para R$ 3,93 em julho, uma queda, de 2,7% comparado ao mês anterior, acumulando uma baixa de 16,8% desde março, período de safra da cana-de-açúcar no centro-sul do país.
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