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Clique para ampliar a imagem` A AEPET vem se manifestando, desde que teve iní Surgem os previstos males da privatização no setor petróleo Vazamento em aeronave abastecida com AvGas (Combustível de Aviação)

Surgem os previstos males da privatização no setor petróleo

Publicado em 08/07/2020

A Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves, AOPA Brasil, envia mensagem à ANAC com grave indício de adulteração da AVGAS

A AEPET vem se manifestando, desde que teve início, em governos anteriores, os males para o Brasil, ou seja, para os consumidores brasileiros, das privatizações no setor do petróleo. Não por qualquer motivo corporativo, o que até seria legítimo, mas pelos objetivos distintos de uma empresa sob o controle do Estado de outra sob o controle de acionistas privados.

A Petrobrás sempre buscou cumprir sua meta, claramente definida pelos fundadores e pelos governos que se seguiram até 1990: abastecer todo território nacional de derivados de petróleo aos menores custos possíveis. E neste afã tornou-se uma das maiores empresas de petróleo do mundo, com autossuficiência em todos os segmentos e produtora de tecnologia e contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico brasileiro.

A atual gestão, em ritmo alucinante, vem entregando áreas estratégicas do setor petróleo para empresas que nem são do ramo do petróleo e que, como a quase totalidade de empresas privadas, busca o lucro financeiro maior e mais rápido possível. Isto se observa não apenas no Brasil, mas na análise isenta do decréscimo das outrora grandes empresas, as tão divulgadas "sete irmãs" (ver AEPET QUEM SÃO AS NOVAS SETE IRMÃS DO PETRÓLEO? em 17/04/2008).

O DEFESANET publicou, em 08/07/2020, importante depoimento sobre um dos diversos males desta privatização, que, devidamente autorizada, a AEPET transcreve integralmente.


Defesanet - 08 de Julho, 2020

Comunicado - Indício de contaminação de AVGAs – Gasolina de Aviação

Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves

AOPA Brasil

www.aopabrasil.org.br 

 

São Paulo, 7 de julho de 2020.

 

À ANAC – AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL

ASSOP – ASSESSORIA DE SEGURANÇA OPERACIONAL

ATT.: SR. WAGNER WILLIAM DE SOUZA MORAES

C.C.: SR. RICARDO CATANANT

Diretor SR. RONEI GLANZMANN

Secretário Nacional de Aviação – Ministério da Infraestrutura

Ref.:Indício de risco de contaminação de AVGAs – Gasolina de Aviação

Prezado Wagner,

Na sequência de contatos previamente realizados no final do dia de hoje, vimos relatar o que segue:

- Desde a interrupção da produção de gasolina de aviação em território nacional sabe-se que o país se tornou importador desse combustível, que alimenta milhares de aeronaves brasileiras. Apesar de reportada pela Petrobras a expectativa de retomada do refino da gasolina de aviação no Brasil, isso não ocorreu.

- Na esteira das decisões de não retomada da produção ocorreram problemas logísticos que implicaram na falta de suprimento do produto em todo o Brasil.

- Ainda no segundo semestre de 2019ocorreram relatos, oriundos de operadores e oficinas mecânicas, de supostos índices excessivos de chumbo, que se acumulavam de forma anormal em partes do grupo motopropulsor.

- Investigações realizadas na ocasião, até onde tivemos a oportunidade de tomar conhecimento, que envolveram a ANP (Agência Nacional do Petróleo), Petrobras e CENIPA, deram conta de que as amostras de produto retiradas pela ANP, Distribuidoras e Petrobras, em diferentes pontos de amostragem, desde os tanques de estocagem na refinaria até os tanques das distribuidoras nos aeroportos, estavam dentro das especificações de Chumbo previstos. Naquela ocasião foi detectada diferença no teor de chumbo do produto produzido no Brasil para o importado, esse último mais alto, porém dentro dos limites da especificação segundo associação de distribuidores.

- No dia de hoje, porém, passaram a circular diversas informações,em redes sociais de operadores aeronáuticos, em diversas localidades e regiões do Brasil, dando conta da possível ocorrência de corrosões agressivas, aparentemente provocadas pelo combustível, que se apresentam em tanques de aeronaves, juntas, mangueiras, seletoras, bicos injetores, drenos e em outras partes e componentes. Essas informações foram transmitidas inclusive com imagens, já repassadas à ANAC.

Desse modo, tendo em vista o potencial risco severo decorrente de uma eventual contaminação do produto em algum ponto da cadeia de suprimento, por razoes desconhecidas, nossa Associação solicita pronta ação desta Agência no seguinte sentido:

1) Tomar providências para verificar as condições técnicas e de qualidade da gasolina de aviação disponível em território brasileiro, particularmente junto à Petrobras, distribuidores e revendas, tornando público os resultados de testes que tenham sido feitos nos últimos 120 (cento e vinte) dias por esses elos da distribuição;

2) Voltar a realizar testes com produtos estocados nos principais pontos da cadeia de suprimento que atente o Brasil, particularmente em terminais portuários, tanques de distribuidores e tanques de revendas, dando ampla publicidade aos resultados;

3) Abrir canal direto de comunicação entre a comunidade aeronáutica e a ANAC para que relatos específicos, que apontem localidades, tanques em aeroportos, aeronaves, componentes e/ou amostras do combustível que apresentem ou possam apresentar discrepâncias sejam formalmente recebidos pela Agência.

4) Fornecer imediatas instruções a distribuidores, revendedores, operadores e aviadores relativamente a verificações que possam ser conduzidas antes das operações como pronta forma de mitigação de riscos.

É dispensável reiterar as enormes dificuldades enfrentadas pela aviação geral brasileira ao longo dos últimos anos, que resultou, em 2019, nos menores volumes operacionais dos últimos 20 anos. A deterioração na cadeia de suprimento de combustíveis é fato inconteste, com a saída de revendedores e distribuidores do mercado, deixando centenas de aeroportos outrora supridos, hoje desabastecidos de AVGAs, combustível que movimenta grande parte da frota nacional de aeronaves. Diante desse quadro, nossa Associação observa a existência de um conjunto de condições que podem, infelizmente, nos fazer inferir a existência de riscos de qualidade do produto.

Certos de contarmos com vossa pronta resposta, nos mantermos totalmente à disposição para que os esclarecimentos sejam produzidos e a segurança operacional preservada.

Respeitosamente

Humberto Gimenes Branco
Presidente

+55 11 9 8446 1856
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Fonte: DefesaNet

Última modificação em Quarta, 08 Julho 2020 18:44
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